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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

26
Abr19

A propósito das contrapropostas

A propósito das contrapropostas.

Bem sei o quanto é mal visto pelos recrutadores que um determinado profissional aceite uma contraproposta do seu atual empregador. Mas e se essa contraproposta for apenas uma medida de retificação de uma situação já de si injusta?

Diz-me a experiência que muitos profissionais se assenhoram destas oportunidades, não realmente para mudar de trabalho e progredir na carreira, mas tão-somente para marcar uma posição exclusivamente financeira junto do seu atual empregador. Porém, e mesmo considerando como plausível que possam ser uma minoria do mercado, existem profissionais que são manifestamente subvalorizados financeiramente.

Nesses casos, não é aceitável que a contraproposta possa ser uma ferramenta de promoção profissional?

07
Abr19

O devir das coisas

Ilustração: Alex Herrerias

“Não apagues os meus círculos”, segundo reza a lenda, terão sido as últimas palavras de Arquimedes antes de ser trespassado pela lança de um soldado romano, após a queda da cidade de Siracusa, por volta de 212 A.C. Ainda que não haja nenhuma evidência confiável de que estas tenham sido efetivamente as suas últimas palavras ou sequer que a sua morte tenha ocorrido da maneira descrita, a progressiva mistificação da personagem de Arquimedes por via da sua devoção aos estudos e trabalhos de pesquisa é não apenas um devir das coisas históricas, como também um ícone inspirador pelo seu legado à Humanidade, pela sua determinação, perseverança e naturalmente pela sua férrea curiosidade.

Arquimedes nasceu em Siracusa, atual Sicília, cidade onde viria a morrer e dedicou toda a sua vida ao estudo da Matemática, Física e Astronomia, sendo amplamente conhecidas as suas contribuições para a fundação da Lei da Estática e para o desenvolvimento do pensamento matemático quinhentista que culminou no surgimento de uma nova cultura científica. Porém, Arquimedes não é exemplo único e o nosso dever histórico para com os “pensadores originários” não se deve cingir apenas à sua importância ou legado universal para a Ciência, mas deve ser a base para uma reflexão mais cuidada das nossas sociedades e do que lhes verdadeiramente falta.

Confesso que também a mim me faltou durante muito tempo, diria anos, o interesse e a curiosidade por voltar à Filosofia e creio que só mesmo uma entidade divina poderá explicar como me desembaracei da disciplina no secundário. Contudo, a verdade é que nos últimos dois anos voltei a estudar Filosofia, não como objetivo intelectual, mas na sequência e como consequência das minhas próprias questões individuais, tanto a nível pessoal como a nível profissional. Se algo eu trouxe dos meus oito anos no interior foi a capacidade de parar para me questionar e observar o mundo à minha volta, o que só por si já significa “philosophia” ou o amor pela sabedoria.

Foi durante esse período mais intenso de busca interior, e estudando os grandes filósofos que constatei outro detalhe peculiar comum. Ainda que na Antiguidade Clássica o estudo dos “temas científicos” fosse entendido de forma diversa, Arquimedes, Anaximandro, Heráclito, Platão ou outro qualquer grande filósofo não eram apenas uma única “coisa”, mas antes várias e todas concorriam para o mesmo objetivo comum: produzir conhecimento científico e explicações para determinados fenómenos vivenciados, através da sabedoria prática ou método de observação. Não sendo especializados como hoje se parece amplamente valorizar puderam ser fiéis ao seu método de pesquisa eclético, manter um absoluto e permanente estado de curiosidade perante as evidências à sua volta, mas sobretudo e muito especialmente puderam através deste registo pouco especializado deixar um legado inqualificável e por vezes pouco estimado ou compreendido pela Humanidade e por cada um de nós de modo individual.

Arquimedes era um perfil multidisciplinar sem dúvida alguma; também o era Anaximandro que se dedicou ao estudo da Matemática e da Geografia, mas que se dedicava também à interpretação dos Astros, aliás é Anaximandro que introduz pela primeira vez o conceito da Lei do Karma; também o era Pitágoras, provavelmente um dos matemáticos mais malfadados para os estudantes portugueses, mas também fundador de uma seita espiritual e defensor acérrimo da teoria da imortalidade da alma, pensamento que Platão, também ele matemático e fundador da primeira instituição de educação superior do mundo ocidental, a Academia de Atenas, se viria a apropriar mais tarde.

Hoje o mundo é diametralmente oposto.  A participação cívica e intelectual é um dever praticamente desconhecido para a maioria dos cidadãos, o interesse genuíno e altruísta pelos outros e pelo mundo em nosso redor é tido na maioria dos casos como o resultado de uma personalidade ingénua e o valor das pessoas reside meramente na sua aptidão para serem especializadas ou pela sua capacidade de criação de valor acrescentado, em que o critério de mensurabilidade deve ser um benefício financeiro.

A isso assistimos nas organizações, nas profissões e com os profissionais que abdicam sistematicamente da sua humanidade em prol de uma especialização que os reduz a uma commodity e em que o seu preço é determinado pela lei da oferta e da procura ou por qualquer outra estrutura coletiva que lhes rouba a individualidade e sobretudo a oportunidade para serem mais do que apenas uma “coisa” só.

Pergunto-me que legado ou contribuição individual estamos nós a deixar à Humanidade ou às gerações futuras?

05
Abr19

Quem sou eu?

Poderia dizer que sou a Margarida Barbosa, especialista em Recursos Humanos. Mas também sou a Margarida que trocou Lisboa pelo Ribatejo durante 8 anos, onde fundou uma associação; e sou a Margarida que tem necessidade de olhar as coisas como um todo e que adora dançar.

Quando comecei a trabalhar em recrutamento, há cerca de 15 anos, comecei a perceber que queria ir para além do processo tradicional. E que para perceber porque é que “aquele” era o perfil certo tinha de olhar para as organizações como um todo, para o que precisavam, como é que tomavam os processos de decisão e se organizavam internamente.

A certa altura do meu caminho profissional o processo de recrutamento começou a fazer-me sentido como um todo de múltiplas variáveis. E que para analisar esse todo era também fundamental usar a minha intuição, ver um pouco mais além do óbvio. Mas também que isto só fazia sentido quando assumimos aquilo que chamo “autoridade interna”, que não é mais do que a nossa capacidade de dizer: “eu sou capaz de assumir estas funções, é com isto que eu sou capaz de contribuir para esta empresa.” É essa autoridade interna que me faz confiar na escolha de um candidato que, embora possa não ter exatamente todos os requisitos pedidos, tem um talento ou uma capacidade que eu lhe consigo reconhecer. E eu acredito e sei que em muitos casos destes basta uma oportunidade para que estes candidatos atinjam o seu potencial.

A dada altura na minha vida, numa necessidade pessoal e de reconciliação comigo, regresso à terra que é o meu porto de abrigo, o meu colo: o Ribatejo. E esta etapa torna-se, ao longo de 8 anos, numa parte fundamental do meu percurso profissional. O meu regresso ao Ribatejo traz-me um nível de tranquilidade e conhecimento interior muito grande e o tempo que eu precisava e que Lisboa não me trazia. Faz-me perder o medo do fracasso, a capacidade de amar o que não é palpável e de querer conhecer as nossas raízes, de onde vimos. E é isso que me faz fundar uma associação.

Quando regresso a Lisboa, 8 anos mais tarde, para assumir novamente funções de especialista de recursos humanos, sou uma pessoa diferente, mais completa. O processo de recrutamento agora, mais do que nunca, faz-me sentido como um todo. Hoje em dia, temos uma perspectiva de especialização em termos de mercado de trabalho. Mas, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, o fundamental não é isto, mas sim a capacidade de reflectir no todo e olhar para o recrutamento como um processo holístico, mais abrangente.

Este blogue é o resultado de todo este meu caminho, desta minha aprendizagem na área do recrutamento. Criei-o com o objectivo de oferecer um sítio onde as pessoas encontrem uma visão diferente sobre a área dos recursos humanos e o recrutamento. Um sítio onde as pessoas tivessem acesso a informação desmistificada para que elas próprias possam navegar no mercado de trabalho. E gostaria de pensar que este meu longo caminho, a minha experiência e o meu conhecimento trazem algo de novo para o mercado, capaz de fazer a diferença na vida das pessoas.

Sobre mim

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos. Aqui, este tema será abordado numa perspectiva de todo: as boas práticas, métodos, o que há de novo no mercado, as relações entre recrutador, candidatos e clientes.(...)

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