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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

16
Ago20

#1 Histórias de uma Conselheira de Carreira

VIDA PERDIDA.png

Chamemos-lhe Manuel. Soube nos primeiros minutos de conversa a sós que a atitude extrovertida e sociável com que se tinha apresentado no meu workshop tinham conseguido esconder algo muito mais profundo e mais sombrio. Não foi difícil perceber que não era fruto de qualquer intimidação momentânea que sentisse por estar ali comigo e por me ter dito que tinha "sonhado" com aquele nosso encontro, não tivesse sido um anjo da guarda - o seu - a dar-lhe a boa nova. Era antes uma estrutura interna já montada e enraizada, algo que muitos de nós, conselheiros de carreira, temos uma tendência quase cega para relevar e não dar a devida atenção.

Seria a nossa primeira e última conversa, mas tenho a certeza que nunca o esquecerei. Perdi-o para o suicídio, mas sei que mesmo antes de se suicidar a sua vida já estava perdida. Não pelas sombras que carregava dentro de si há muito e não pela sua dificuldade em se recuperar emocionalmente a cada rejeição ocasional que a vida tinha o condão de lhe oferecer como oportunidade de crescimento e reforço individual, mas pelas circunstâncias peculiares que conduziram a sua personalidade ao comportamento que ditaria o resto da sua vida curta.

Manuel era o tipo de jovem que não passava despercebido em lado nenhum, mas carregava dentro de si um demónio que poucos conheceram ou reconheceram existir. Contudo ele estava lá, à espera da sua primeira oportunidade. Não demorou muito.

Quando me despedi dele e o vi sair pela porta, a minha intuição disse-me que aquela era uma alma a precisar desesperadamente de uma salvação que eu nem tive a certeza de conseguir oferecer. Mas a razão foi contundente: "Tu não! Tu não salvas pessoas, tu ajuda-las. E nem sequer sabes se o Manuel quer ajuda quanto mais salvação!"

Lembrar-me-ei sempre dele, independentemente da moral e da ética que rodearam as circunstâncias que o levaram ao desfecho final. Lembrar-me-ei sempre dele porque a próxima alma que vir sair pela porta e a minha intuição gritar comigo, talvez esqueça a voz da razão e decida tentar salvá-la.

11
Ago20

O Conselheiro de Carreira

Não cabe ao conselheiro de carreira dizer o que está certo e errado, nem tão pouco induzir o profissional na percepção de que existem fórmulas secretas e mágicas na gestão da sua carreira.
As variáveis são tantas que apenas é possível e aceitável levar o profissional pela mão e mostrar-lhe as possibilidades disponíveis, e para isso o conselheiro de carreira tem de se fazer valer de 2 valores fundamentais: Maturidade Pessoal e Experiência Profissional, seja ela qual for.

Sem isto, será apenas um papagaio a reproduzir uma teoria ou metodologia sem a visão subjacente.

Sobre mim

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos.

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