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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

08
Jan21

A biografia profissional e o Curriculum Vitae

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Consigo imaginar, está sentada ou sentado na mesa da sala, a mesma que passou a ser o seu escritório quando veio para casa em teletrabalho, a tentar visualizar o seu novo curriculum vitae. O que gostava que fosse no fim do esforço hercúleo que está prestes a dedicar-lhe. É a sua sina. Cada vez que um novo ano se inicia decide que agora é que é, mas sejamos honestos aqui que ninguém nos ouve, fazer um curriculum vitae é um pincel e nunca sai como o imaginámos na mesa da sala, naquela fracção de segundos antes de empurramos para um canto o portátil e os papéis para pôr a mesa para o jantar.

Eu sou especialista em desenvolvimento de carreira e pesquisa de emprego, mas acima de tudo já fui candidata e profissional à procura de novas oportunidades em muitas ocasiões e sei bem o que sente, mas se ainda está sentado na mesa da sala à espera de que eu lhe dê a solução mágica para o seu dilema, então deixe-me dizer-lhe que se quer um bom curriculum vitae não pode começar por ele. Pronto, agora é que fica a pensar que se lixe o novo, actualiza o velho, e não perde mais tempo porque o jantar está quase pronto e as crianças já conseguiram destruir metade da sala.

Verdade, pode ser esse o caminho. Conforme-se e a sua carreira será o produto do seu conformismo. É uma solução, mas como eu costumo dizer, cada um tem o que merece. Ou…ou então lê este artigo até ao fim e presta atenção às dicas que lhe vou dar sobre o que é um curriculum vitae à séria! Daqueles em que você chega à entrevista e sabe bem ao que vem e ao que vai…já agora.

Se quer desenvolver um bom documento de apresentação profissional ponha os olhos no caso do Procurador João Guerra, evite as “notas internas” e aposte as suas fichas todas na construção séria, honesta e detalhada da sua biografia profissional. É por aí que o caminho se inicia. Olha para todas as suas experiências profissionais e pessoais (voluntariado, hobbies, actividades) e escreve-as de forma minimamente organizada. Organização pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes, mas diria que o critério temporal pode ser uma solução simples e objectiva para seguir um caminho lógico.

A construção da biografia profissional demora tempo porque na realidade é um processo de desenvolvimento pessoal per si, portanto proponha-se a escrever por partes e seguindo a lógica de “um dia de cada vez”. Aos meus profissionais eu deixo dois avisos, não há limite de tempo e não há limite de páginas. Quando o seu caminho estiver concluído, inclusive a descrição do número de cafés que bebe no local de trabalho como desculpa para não aturar o manager ou o colega que acha que tem as soluções para as enfermidades do futebol, escolha um template porque a primeira fase do processo já concluiu.

Lembre-se que se a sua biografia profissional tem cinquenta páginas, o curriculum vitae não pode ser um copy paste, mas antes uma escolha que vai fazer e que vai defender na entrevista de emprego. Ora, eu explico, no curriculum vitae deve ficar espelhado a sua resposta a três perguntas: Quem eu sou? (globalmente) O que sei fazer? (profissionalmente) E o que quero fazer? (motivações). O que vai transpor para o template escolhido é o resultado de um trabalho de auto conhecimento que a esta altura já deve estar feito, pois no documento deve ficar reflectido quer os descritivos funcionais como também os achievements e concretizações profissionais mais relevantes e que sustentam as responsabilidades e tarefas inerentes às funções.

Mais uma vez, o curriculum vitae demora tempo e se fizer a coisa bem feita vai pôr algumas vezes a mesa para o jantar antes de dar o processo por concluído. Um bom curriculum vitae é desenvolvido por fases que envolvem modificações, retirar e incluir informação e sobretudo muitas correcções até chegar à versão que lhe vai permitir defender os seus “argumentos profissionais” ou a resposta às três perguntas já aqui mencionadas.

Ao longo destes dezassete anos na área dos recursos humanos percebi que o processo de desenvolvimento de um documento de apresentação profissional está sujeito, como tudo à nossa volta e em nós, à erosão do tempo, mais concretamente da memória. O que na prática acontece é que os profissionais acabam por criar documentos com descritivos funcionais muito resumidos, pobres do ponto de vista do valor que trazem para as organizações e até repetitivos como se de repente tivessem sido acometidos por uma grave crise de amnésia profissional e precisam colocar as mesmas frases em todas as funções, mesmo que uma tenha sido de gestor de compras e outra de designer gráfico. Porquê? Porque simplesmente não se lembram de tudo o que já fizeram. É normal e aceitável.

Com a construção prévia da biografia profissional vai ficar com um descritivo detalhado e transversal a toda a sua experiência profissional que lhe vai permitir explorar correctamente as suas mais-valias no curriculum vitae, mas também - e é aqui que me agradece – vai ficar com um documento que o vai ajudar a preparar-se para as entrevistas de emprego futuras. Tudo está encadeado e interligado.

Para uns o processo é duro e muito frustrante, para outros é um caminho em direcção à luz. Independentemente do que vai sentir, é necessário não se defender do processo e propor-se a fazer esta construção pessoal e profissional.

03
Jan21

Ler: Resolução de Ano Novo

Autor Imagem: chuttersnap

Acompanhar um profissional a desenvolver boas práticas de carreira e pesquisa de emprego não é um trabalho técnico, mas uma relação one-to-one que assenta exclusivamente na confiança mútua. Sem dúvida que existe troca de informação e conhecimento, mas a experiência nesta área diz-me que o profissional só assume como "seu" o conhecimento que advém de uma fonte na qual confia, o conselheiro de carreira portanto.

Esta relação de confiança extravasa em larga escala o âmbito meramente profissional e a verdade é que existem muitos casos em que o sucesso na carreira - ou ausência dele - é apenas um reflexo de algo que acontece noutras dimensões, a pessoal por exemplo. Desta forma, é inevitável que este especialista, como é o meu caso, tenha de caminhar em território mais individual, particular e pessoal estabelecendo uma relação profissional que vai muito para além do contexto de gestão de decisões meramente do âmbito organizacional.

Muitos profissionais que acompanho sabem o quanto adoro ler e a importância que dou ao conhecimento e à informação como forma de empowerment, não apenas profissional, mas também a nível pessoal. Se podemos ter acesso à informação que nos dá a "rede" de conhecimento para sermos capazes de tomar decisões fundamentadas e inteligentes, então não há motivo algum para o deixarmos nas mãos de outros. Esta necessidade de nos apoiarmos na informação corre todas as suas dimensões, a mais abstracta, mas também a mais concreta e que pode por exemplo ser o conhecimento real e prático do que é o mercado de trabalho em Portugal. Quanto mais conhecemos do nosso mercado de trabalho, mais somos capazes de desenvolver e implementar estratégias eficazes de pesquisa de emprego, não apenas em função da nossa realidade imediata, mas em função da realidade lá fora.

Ao longo dos anos, e porque adoro ler, foi através desta via que fui adquirindo o nível de informação que hoje aplico em forma de conhecimento e experiência concreta nas minhas sessões de gestão de carreira. Mas a verdade, e muitos me têm feito essa pergunta, é que embora eu leia praticamente todos os géneros literários, eu não dedico muito tempo aos livros da minha área profissional, os recursos humanos. E não leio porque eu não aprecio o tipo de informação que já nos vincula ao "pensamento feito" e ao paradigma vigente, preferindo por isso livros que contextualizam em termos históricos, que nos incitam a fazer perguntas e sobretudo os que nos permitem questionar a realidade à nossa volta. Ou então os que simplesmente nos levam para uma outra realidade, a da fantasia e a da imaginação.

O facto de não ler livros da área dos recursos humanos, coaching ou sequer de desenvolvimento pessoal levou a que muitos me perguntassem afinal o que leio e onde invisto tanto tempo da minha vida pessoal. 

Em 2020, desafiei-me a ler 52 livros durante o ano, ou seja 1 por cada semana, mas verdade seja dita que me entusiasmei e acabei por ler 84. Este ano, e mesmo não tendo por hábito de me focar em quaisquer resoluções de ano novo, decidi ainda assim lançar um desafio um pouco mais arrojado: ler 100 livros durante o ano de 2021.

O desafio obviamente não é apenas para meu próprio entretenhimento, mas ajudar-me-á a responder aos profissionais que acompanho profissionalmente e que querem saber o que leio e porquê. Talvez alguns se surpreendam. 

Pode acompanhar o meu desafio de leitura no Goodreads, deixando inclusive aqui algumas recomendações. Lembre-se que ler é uma excelente terapia também! 

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Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos.

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