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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

11
Mar20

Impulsividade

#Impulsividade

Muitos dos profissionais que acompanho não gostam de ser conotados com personalidades impulsivas e muito poucos reconhecem a sua importância no contexto profissional ou mesmo pessoal.

Em definição restricta a impulsividade está profundamente associada a quem age sem pensar ou a quem facilmente se enfurece e, portanto, a impulsividade é sinónimo de precipitação, impetuosidade, irritabilidade e mesmo de uma certa imprevisibilidade de comportamento.

Personalidades com um nível alto de impulsividade podem efectivamente ser imprevisíveis, precipitadas ou mesmo irascíveis, mas também podem ser profissionais com elevado grau de iniciativa, uma vez que o impulso à acção está naturalmente enraizado na sua matriz identitária.

A força interna que gera o impulso e motiva a acção não assusta estas personalidades, e nesse sentido a impulsividade deve ser vista como o fósforo” que estrutura uma postura operacional, quase sempre pragmática e orientada a objectivos.

14
Fev20

O luto profissional

o luto profissional.png

 

O Conceito

Em Portugal, o conceito de luto profissional é uma realidade incógnita, uma espécie de “não-tema” que não permite que se criem as condições e as ferramentas de apoio e suporte, não apenas para os profissionais em processo de luto, mas também para a sua necessária compreensão e de como este pode ser endereçado em todas as suas dimensões.

Culturalmente, o conceito de “luto” está profundamente associado ao processo posterior à morte de um ente querido, mas este processo de perda pelo qual qualquer individuo pode passar ao longo da sua vida pode estar também associado a outros tipos de perda, nomeadamente a perda de um animal de estimação. A perda e os processos subjacentes podem, na realidade, constituir uma teia bastante complexa e merecem, por isso, um tratamento diferenciado e específico a cada caso. O mesmo acontece com o luto profissional.

Sempre e quando um profissional perde o seu trabalho sabemos à partida que o seu contexto profissional, pessoal e familiar é modificado, ocorrendo deste modo, e necessariamente, uma reorganização e redefinição do seu papel nestas diferentes dimensões da sua vida. Cada profissional vivencia de forma diferente, mediante a cultura, o meio em que está inserido e o próprio contexto da perda, o seu processo de luto profissional. Ao longo da minha carreira, tenho acompanhado profissionais com processos bastante complexos e profundos de luto profissional cuja iniciativa de deixar o trabalho foi sua; outros cujo despedimento não foi da sua iniciativa, mas foi encarado e integrado como uma nova oportunidade para relançar determinadas áreas ou projectos de vida que haviam ficado para segundo plano em detrimento das obrigações para com o empregador.

Não há, na minha experiência, uma relação directa entre a razão ou iniciativa do despedimento e o processo de luto, mas existem fatores de desgaste que se acumulam ao longo do tempo e que contribuem de forma bastante perceptível para este processo de luto e de perda, muitas vezes assente em sentimentos de injustiça, incompreensão ou traição.

O luto profissional reflecte assim uma necessidade básica de vinculação e, por conseguinte, de reconhecimento de valor que é corrompida com a interrupção do significado de segurança na vida que é a profissão ou carreira. Tal como no luto mais tradicional, também o luto relacionado com o trabalho está assente num sistema de crenças e valores culturais e sociais que se traduzem numa espécie de modelo de reconhecimento formal e de valor do recurso para o mercado de trabalho; quando a perda profissional acontece este sistema fica notoriamente comprometido, ou dito de outra forma, o profissional passa a ser visto como uma espécie de liability para a sua organização.

Posso testemunhar que o processo de luto profissional é real e tangível, em especial quando o profissional evidencia sintomas claros de descontrolo emocional, ainda que de forma temporária, pelo que o luto profissional é igualmente na sua essência muito pessoal, sem tempo estimado de resolução e com nuances que variam de profissional para profissional.

Isto significa que cada um de nós, tal como quando perdemos tragicamente um ente querido, precisamos de um tempo diferente para responder aos desafios inerentes ao processo de perda que resulta de um despedimento ou desligamento profissional, independentemente do contexto factual que precedeu essa decisão ou das circunstâncias posteriores ao fim do vínculo que existia entre as partes.

A perda do trabalho implica uma reorganização da vida do profissional, e tal como no luto tradicional, a interrupção do significado daquela profissão, da convivência com aquelas pessoas e do mindset organizacional que predominou durante algum tempo, nalguns casos anos, pode ter efeitos perversos na autoestima, na autoconfiança e em última análise no discernimento para ser capaz de tomar decisões valiosas e de impacto positivo ou de projecção no futuro.

 

A importância do processo de luto

Sabendo que cada individuo tem o seu próprio processo interno de integração da perda existem tradicionalmente quatro estádios ou fases no luto para que a perda da vinculação seja reconhecida e a recuperação se dê por concluída e que podem ser aplicados também ao luto profissional.

A primeira fase é o choque onde o profissional não reconhece a perda. De seguida entra a fase de protesto em que o profissional procura e anseia por respostas de conforto. A terceira fase é o desespero que ocorre quando o profissional se apercebe que a perda é permanente. A quarta e última fase é a aceitação que ocorre quando o profissional se adapta à perda e começa a retomar o seu funcionamento normal.

A adaptação ao luto é o resultado de uma interação entre duas forças de vinculação opostas: a necessidade de manter a proximidade com a organização ou trabalho perdido e a necessidade de desvinculação para investir noutras oportunidades profissionais ou organizações.

Só quando ocorre a aceitação da perda e a subsequente natural adaptação a uma nova realidade pessoal e profissional o individuo está em condições de retomar o seu percurso de carreira ou encetar novos caminhos.

E só também neste momento o especialista de carreira pode fazer a sua intervenção ao nível do acompanhamento do profissional no desenvolvimento de boas práticas que lhe permitam criar novas oportunidades, ou dito de outra forma, uma nova realidade profissional que possa proporcionar um novo sistema de vinculação e de reconhecimento.

13
Fev20

Lideres Instantâneos

O mercado de trabalho anda deslumbrado com a palavra liderança. Todos querem ser líderes e os mais novos acham que ser líder de “qualquer coisa” é o barómetro do seu sucesso profissional, mesmo que na realidade e na prática não façam a gestão efectiva de nada. Para muitos é a sua sorte andarem iludidos.

Ser líder não é uma palavra vazia de significado, superficial, e muito menos uma responsabilidade que se aceite de ânimo leve. Esta tem de ser aceite com um profundo espírito de serviço aos outros e com uma indelével vontade de promover o bem comum.

Se muitos que apregoam aos quatro ventos a palavra liderança tivessem que se sentar no lugar do condutor, convivendo genuinamente com o facto de que a vida e a segurança de todos os que estão na viatura estaria nas suas mãos, a verborreia destilada por essas timelines fora seria menor com toda a certeza.

PS – Ser “líder” com o risco associado nos outros também não conta.

24
Jan20

A passear de carro na Amadora...

Em 2015 um adepto do Benfica (branco) foi espancado por um polícia em frente ao seu filho menor. O polícia foi condenado e o acto em si condenado por todos nós. E bem diga-se.

Em 2020 uma mulher (para seu azar preta) foi espancada à frente da sua filha menor cujo espetáculo último é o estado da sua cara. Uma verdadeira obra de arte feita por estes polícias novatos que vêm aprender a "arte do seu ofício" a este grande palco de variedades que é a Amadora.

Em 2015, o branco reagiu indignado à atitude do PSP e levou na tromba. Em 2020, a preta é obrigada a apanhar no focinho e a fingir de conta que tem o mesmo tratamento por parte de todos nós como se fosse branca. E a ver o seu passado - aceitável ou não - a servir de justificação.

A única pergunta que nos devemos fazer é se o contexto merecia aquele tratamento de massagem personalizado. O resto é verborreia espalhada na caixa de esgoto da Humanidade.

É isto. Agora vou ali usufruir dos meus privilégios de branca da Amadora e beber o meu café com leite.

14
Jan20

Autoconhecimento vs Assessment

Desenvolver e implementar uma estratégia de pesquisa de emprego de forma sistematizada, mensurável e planeada não é uma tarefa complexa, mas requer compromisso e como condição prévia processos bem estabelecidos de autoconhecimento.

Conhecermo-nos bem significa que somos capazes de escolher melhor segmentos de mercado, ambientes organizacionais e muito essencialmente projetos de carreira e de vida. Quando somos capazes de ter essa “dose extra” de honestidade pessoal, estamos preparados para gerir de forma mais eficaz a nossa carreira, e para crescer pessoal e profissionalmente.

A minha experiência como recrutadora ensinou-me que a larga maioria dos profissionais não faz este trabalho prévio e nem sequer está ciente ou desperto para a necessidade de uma maior consciência interior ou tão simplesmente para o facto de que talvez as adversidades circunstanciais na profissão possam ser apenas um sintoma de algo maior e mais complexo. Poucos estão munidos das ferramentas internas para este processo de consciencialização.

Ao longo do último ano, ao trabalhar com os assessments da Thalento, o meu objetivo primordial foi ajudar os profissionais que solicitavam auxílio para começarem este caminho que é sem dúvida sinuoso, mas benéfico, a médio e longo prazo. Um assessment que nos permite olhar para os 30 principais indicadores da nossa personalidade dá-nos certamente a oportunidade de racionalizarmos quem somos, mas também como podemos projetar quem queremos ser, seja a nível profissional ou mesmo a nível pessoal.

Durante o mês de Janeiro estou a realizar 1 sessão com assessment incluído. Se pretende saber como se pode inscrever, envie-me um email para mbarbosa@globapartner-hrs.pt.

14
Nov19

Passagens administrativas e não só!

Não é segredo o quanto eu tenho defendido uma mudança na Educação, em favor de uma visão estratégica de Estado e do nosso posicionamento no Mundo e como ferramenta ao serviço de um Mercado de Trabalho mais justo e dinâmico, mas o debate de ontem na Assembleia da República deixou-me perplexa.

Deixou-me perplexa, não com a possibilidade de oficializarmos as "passagens administrativas" dos miúdos até ao 9º ano, mas essencialmente porque os nossos ilustres deputados estiveram a debater um tema "vazio".

Passagens administrativas até ao 9º ano já se fazem neste país há muito tempo, em especial com certas minorias étnicas ditas problemáticas, tal como se faz uma clara diferenciação - e por conseguinte de estatuto - das turmas A para as restantes, tal como também certas escolas pedem "donativos" no momento da inscrição de um aluno novo. Dá direito a um smile no canto superior direito.

Percebem onde acaba esta conversa?

17
Set19

O corredor da morte

Lembro-me que na minha escola uma das práticas instituídas era o uso do “corredor da morte” para premiar os delatores da turma, ou melhor dizendo os “chibos” que tanto queriam cair nas boas graças do Director de Turma que a única graça que alcançavam era a do código de conduta do grupo.

Num destes dias tentei explicar à minha filha a importância do grupo (não da equipa) para a aprendizagem de um conjunto de regras de socialização que são cruciais para nós enquanto pessoas e profissionais. Não sei se ela me compreendeu, já que a única coisa que me respondeu foi que as auxiliares não aprovavam essas “dinâmicas de grupo” na sua escola. Acredito que na minha também não tivessem aprovado caso fossemos apanhados.

Compreendo perfeitamente que aplicar códigos de conduta pela força parece coisa de outros meandros sociais, mas um código de conduta nunca fez mal a ninguém, pelo menos sabemos que conduta adoptar, ao respondermos a um estímulo social que nos é intrínseco enquanto humanos, o do grupo.

Aplicar a força para “educar” o membro tresmalhado do grupo é cruel, sem dúvida, mas também a forma mais directa de lhe mostrar que existem princípios que lhe serão necessários para o resto da sua vida, não apenas como pessoa, mas também como profissional. Falo de lealdade, de sentido de compromisso e de sentimento de pertença para não mencionar outros.

É caso para dizer que muitos não passaram no “corredor da morte”.

10
Set19

Fazer mais para Ser mais

Não é Inverno e muito menos Natal, mas estas pequenas (grandes!) mensagens são determinantes para confiarmos em absoluto no que fazemos e como fazemos. E aquecem o nosso coração.

"Olá Margarida. Obrigada pelo apoio, fica o contacto para futuros interesses. Não posso deixar de lhe agradecer a forma simpática e eficiente com que sempre respondeu. Tem uma abordagem claramente diferenciadora da generalidade dos seus colegas de profissão. Tenho pena de não ser desta vez que vamos trabalhar juntas. Um bem haja para si."

 

26
Ago19

Profissional mais Pessoal

Estou de férias. Este facto só por si não significa que estou ausente do meu contexto profissional. A verdade é que apesar de estar de férias, hoje fui almoçar ao meu local de trabalho. Vamos lá compreender esta coisa de gostarmos do nosso empregador.

Talvez este acontecimento tenha despoletado interiormente outra reflexão, o estado de ausência permanente com que os recrutadores desempenham o seu papel no mercado de trabalho. Ou dito de outra forma, mandam uns emails aos candidatos, mas não querem ser incomodados, querem que os profissionais vão aos seus clientes, mas não querem dizer como correu (acho que se chama feedback!).

Quem me conhece sabe que não tenho uma presença disseminada nas redes sociais, mas apenas um Instagram. E às vezes até com "esse" a relação é conflituosa. A "coisa" da marca pessoal deve ser tratada com o respeito e expertise necessários e o Instagram foi o único que cumpriu esses critérios.

Ora, se um recrutador "ausente" não se dá a conhecer, não estabelece verdadeiros laços de confiança não se comprometendo com nada, muito menos com candidatos, então é altura de quebrar as regras convencionadas e tornar isto mais pessoal.

Partilho para quem queira conhecer-me e trocar uns follows. 

Instagram Margarida Diogo Barbosa

21
Ago19

Delírios funcionais

Job Functions (1).png

Ainda estou a tentar entender o que se está a passar no mundo dos Recursos Humanos. Simultaneamente à perda de credibilidade da nossa função e respectiva importância estratégica que deveríamos possuir no seio de uma organização e no mercado de trabalho em geral, assisto à proliferação de terminologia funcional bacoca que não encerra qualquer significado e por certo não contribui para a valorização da nossa profissão.

As designações que estão em referência não são um produto de um delírio ocasional da minha cabeça e muito menos estão contidas nalgum livro de faculdade que todos compramos, mas que ninguém lê.

Estes títulos de funções aparecem no LinkedIn e são uma espécie de verborreia funcional ou profissional com a qual todos pactuamos.

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos.

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