Ler: Resolução de Ano Novo

Autor Imagem: chuttersnap

Acompanhar um profissional a desenvolver boas práticas de carreira e pesquisa de emprego não é um trabalho técnico, mas uma relação one-to-one que assenta exclusivamente na confiança mútua. Sem dúvida que existe troca de informação e conhecimento, mas a experiência nesta área diz-me que o profissional só assume como “seu” o conhecimento que advém de uma fonte na qual confia, o conselheiro de carreira portanto.

Esta relação de confiança extravasa em larga escala o âmbito meramente profissional e a verdade é que existem muitos casos em que o sucesso na carreira – ou ausência dele – é apenas um reflexo de algo que acontece noutras dimensões, a pessoal por exemplo. Desta forma, é inevitável que este especialista, como é o meu caso, tenha de caminhar em território mais individual, particular e pessoal estabelecendo uma relação profissional que vai muito para além do contexto de gestão de decisões meramente do âmbito organizacional.

Muitos profissionais que acompanho sabem o quanto adoro ler e a importância que dou ao conhecimento e à informação como forma de empowerment, não apenas profissional, mas também a nível pessoal. Se podemos ter acesso à informação que nos dá a “rede” de conhecimento para sermos capazes de tomar decisões fundamentadas e inteligentes, então não há motivo algum para o deixarmos nas mãos de outros. Esta necessidade de nos apoiarmos na informação corre todas as suas dimensões, a mais abstracta, mas também a mais concreta e que pode por exemplo ser o conhecimento real e prático do que é o mercado de trabalho em Portugal. Quanto mais conhecemos do nosso mercado de trabalho, mais somos capazes de desenvolver e implementar estratégias eficazes de pesquisa de emprego, não apenas em função da nossa realidade imediata, mas em função da realidade lá fora.

Ao longo dos anos, e porque adoro ler, foi através desta via que fui adquirindo o nível de informação que hoje aplico em forma de conhecimento e experiência concreta nas minhas sessões de gestão de carreira. Mas a verdade, e muitos me têm feito essa pergunta, é que embora eu leia praticamente todos os géneros literários, eu não dedico muito tempo aos livros da minha área profissional, os recursos humanos. E não leio porque eu não aprecio o tipo de informação que já nos vincula ao “pensamento feito” e ao paradigma vigente, preferindo por isso livros que contextualizam em termos históricos, que nos incitam a fazer perguntas e sobretudo os que nos permitem questionar a realidade à nossa volta. Ou então os que simplesmente nos levam para uma outra realidade, a da fantasia e a da imaginação.

O facto de não ler livros da área dos recursos humanos, coaching ou sequer de desenvolvimento pessoal levou a que muitos me perguntassem afinal o que leio e onde invisto tanto tempo da minha vida pessoal. 

Em 2020, desafiei-me a ler 52 livros durante o ano, ou seja 1 por cada semana, mas verdade seja dita que me entusiasmei e acabei por ler 84. Este ano, e mesmo não tendo por hábito de me focar em quaisquer resoluções de ano novo, decidi ainda assim lançar um desafio um pouco mais arrojado: ler 100 livros durante o ano de 2021.

O desafio obviamente não é apenas para meu próprio entretenhimento, mas ajudar-me-á a responder aos profissionais que acompanho profissionalmente e que querem saber o que leio e porquê. Talvez alguns se surpreendam. 

Pode acompanhar o meu desafio de leitura no Goodreads, deixando inclusive aqui algumas recomendações. Lembre-se que ler é uma excelente terapia também! 

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