Talento

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Um dia, uma das minhas melhores amigas pediu-me que ajudasse o marido a fazer o Curriculum Vitae. No fim, perguntou-me onde é que tinha desenvolvido tal talento* e eu simplesmente respondi-lhe que intuitivamente eu via onde é que as palavras deviam encaixar. Voltei a pensar nesse momento.

Embora tenha uma razão astrológica para enquadrar a minha mente que gira em torno das palavras, a verdade é que este post não é sobre Astrologia; nos últimos tempos tenho pensado muito sobre se de facto não tenho algo inato* para construir informação curricular e depois lembrei-me do quanto me sinto “miserável” e aborrecida quando penso que tenho de fazer o meu! Sim “casa de ferreiro, espeto de pau”.

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A tríade

Markus Winkler

A sua Biografia Profissional, o seu Curriculum Vitae e o seu LinkedIn são na prática tudo o que precisa para espalhar aos quatro ventos a sua mensagem. Esta mensagem, assenta em quem é (personalidade), no que sabe fazer (perfil profissional) e no que quer fazer(motivações). 

Diria que é uma tríade ou uma “entente cordiale” que vai espelhar para o mercado de trabalho. Pense, a sua personalidade, de forma holística, desenvolveu um perfil profissional que tem preferências, querendo escolher e ser reconhecido por isso. Se por causa desta personalidade, nasceu um perfil polivalente que tem dentro si diversas “personas” profissionais não tenha receio, mas seja capaz de fazer escolhas e seja responsável por elas.

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Este país não é para meninos

Source: Clay Banks

Este país não é para meninos, nem para meninas. Se pensa que por ter estudado numa boa universidade ou por ter acabado com distinção o seu Mestrado vai obter vantagem no acesso a oportunidades profissionais desengane-se, pois, caso ainda não tenha dado conta a sua expectativa é fazer carreira em Portugal e neste país o mercado de trabalho é uma espécie de buraco negro que nem luz reflecte. Deixe-me fazer-lhe as “honras da casa”.

Estudar neste país serve para pouco, em especial quando há quem se passeie com um sobrenome que é um autêntico passe-livre no acesso às oportunidades. Se é o seu caso, espero honestamente que seja homem pois quando entrar no mercado de trabalho já leva de avanço cerca de 16% de diferença salarial em relação à sua concorrente mulher. Nada mau, pois não? E fica melhor! Quando chegar a quadro superior, mesmo sem qualquer pinga de mérito, a diferença salarial passa para uns estrondosos 27%. E quem diz que o Natal não é quando o homem quiser?

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A biografia profissional e o Curriculum Vitae

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Consigo imaginar, está sentada ou sentado na mesa da sala, a mesma que passou a ser o seu escritório quando veio para casa em teletrabalho, a tentar visualizar o seu novo curriculum vitae. O que gostava que fosse no fim do esforço hercúleo que está prestes a dedicar-lhe. É a sua sina. Cada vez que um novo ano se inicia decide que agora é que é, mas sejamos honestos aqui que ninguém nos ouve, fazer um curriculum vitae é um pincel e nunca sai como o imaginámos na mesa da sala, naquela fracção de segundos antes de empurramos para um canto o portátil e os papéis para pôr a mesa para o jantar.

Eu sou especialista em desenvolvimento de carreira e pesquisa de emprego, mas acima de tudo já fui candidata e profissional à procura de novas oportunidades em muitas ocasiões e sei bem o que sente, mas se ainda está sentado na mesa da sala à espera de que eu lhe dê a solução mágica para o seu dilema, então deixe-me dizer-lhe que se quer um bom curriculum vitae não pode começar por ele. Pronto, agora é que fica a pensar que se lixe o novo, actualiza o velho, e não perde mais tempo porque o jantar está quase pronto e as crianças já conseguiram destruir metade da sala.

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Ler: Resolução de Ano Novo

Autor Imagem: chuttersnap

Acompanhar um profissional a desenvolver boas práticas de carreira e pesquisa de emprego não é um trabalho técnico, mas uma relação one-to-one que assenta exclusivamente na confiança mútua. Sem dúvida que existe troca de informação e conhecimento, mas a experiência nesta área diz-me que o profissional só assume como “seu” o conhecimento que advém de uma fonte na qual confia, o conselheiro de carreira portanto.

Esta relação de confiança extravasa em larga escala o âmbito meramente profissional e a verdade é que existem muitos casos em que o sucesso na carreira – ou ausência dele – é apenas um reflexo de algo que acontece noutras dimensões, a pessoal por exemplo. Desta forma, é inevitável que este especialista, como é o meu caso, tenha de caminhar em território mais individual, particular e pessoal estabelecendo uma relação profissional que vai muito para além do contexto de gestão de decisões meramente do âmbito organizacional.

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2021. E agora?

O que deseja para 2021? Saúde, dinheiro ou simplesmente um pouco mais de sorte?

Se há algo que devemos aprender com 2020 é que a resposta que necessitamos não tem vida própria, mesmo que esteja completamente agrilhoado por todas as formas de validação e apoio moral e emocional, o que verdadeiramente precisa para estar em controlo da sua vida está simplesmente dentro de si.

Eu sei que ouvir a voz dos outros é mais rápido quando precisamos de ser confirmados e também sei por experiência que muitos nem sabem o que é a “voz interior”, pois bem vejo as suas expressões quando em sessão lhes digo para não a silenciarem. Mas ela está lá e talvez depois deste ano seja o momento para lhe perguntar o que precisa mesmo para 2021! É saúde? Será o dinheiro que lhe vai resolver todos os seus problemas? Ou quer deixar ao acaso e pedir à sorte que lhe dê um empurrão?

Eu quero deixar-lhe um desafio. Todos os dias quando sai de casa ou se senta ao computador para desempenhar um conjunto de tarefas a que damos usualmente o nome de profissão o que acha que elas representam, a sua vocação ou o seu trabalho? Sente que o faz tem algo de “sagrado” ou nem por isso?

Que 2021 lhe dê a inspiração para ouvir a sua voz interior. Bom Ano Novo! 

E se Portugal entrar em crise?

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Agora que a segunda vaga da pandemia atingiu em força Portugal e nos começamos a questionar como vamos sobreviver economicamente a este contexto, sei que a insegurança e as dúvidas que o estrangeiro sente são muitas e por esse motivo resolvi dar-lhe algumas dicas para se manter firme neste sonho de morar no nosso país.

Planeie hoje para semear amanhã.

Planear é o segredo de uma boa estratégia e na verdade é o segredo de quase todo o nosso sucesso, seja ele pessoal ou profissional, ainda que a maioria dos profissionais que eu acompanho tenham alguma relutância em acreditar.

No caso de um estrangeiro, planear significa por exemplo trazer uma poupança em dinheiro que lhe permite aguentar o embate de um mercado de trabalho pouco dinâmico e conversador e que não lhe vai proporcionar muitas oportunidades de trabalho, significa também ser capaz de antever todos os gastos com burocracia e estar preparado para fazer mudanças estruturais no seu estilo de vida e abordagem à realidade portuguesa. Dos profissionais estrangeiros que tenho acompanhado e que têm planeado com detalhe a sua vinda quase ninguém vem com menos de 50 mil reais. Pelas minhas contas e do conhecimento que tenho de Portugal não é excessivo, garanto-lhe.

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O Sistema Educativo Português

Como especialista de recursos humanos reconheço que acompanhar um profissional estrangeiro no seu processo de mudança para Portugal não se cinge apenas aos processos de carreira, à pesquisa de emprego e à aquisição de conhecimento sobre o nosso mercado de trabalho. Em muitas ocasiões dou comigo a explicar coisas tão diferentes como quais são as regiões mais frias ou como funciona o sistema de ensino, e sei que apesar de lhes dar apenas o meu ponto de vista e a experiência empírica, sei o quanto é importante para os tranquilizar como também para poderem tomar melhores decisões.

Este não é um post sobre curriculum vitae ou pesquisa de emprego sequer, mas acredito que para muitos profissionais é tão ou mais importante que os temas referidos ou nos quais sou especialista há mais de 16 anos. Este post é sobre o sistema educativo português e foi escrito a pensar nos pais estrangeiros que querem vir para Portugal.

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Dicas para um Curriculum Vitae europeu

Se há temas que são verdadeiros clássicos na gestão de carreira o curriculum vitae é certamente um deles. Para a maioria dos profissionais, em qualquer parte do mundo, o problema do desenvolvimento de um bom curriculum vitae é que não existindo uma fórmula única e certeira, torna-se complicado decidir o que é certo para o perfil individual de cada um e o que na prática vai produzir resultados no mercado de trabalho.

Ao contrário da maioria do mercado, eu não concordo que um profissional crie diferentes versões do seu curriculum vitae para atender ou responder a diferentes oportunidades de trabalho. Diz-me a experiência que quando o profissional desenvolve um trabalho de autoconhecimento, identificação de competências pessoais e profissionais e estruturação de argumentos não necessita criar diferentes personas do seu perfil profissional. O trabalho de autoconhecimento e reconhecimento de perfil é o mais difícil, bem sei, mas é o único que o capacita para “vender” a um potencial empregador as suas mais-valias em diferentes funções. Não criar diferentes versões escritas do mesmo curriculum vitae.

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Aprender línguas sem gastar dinheiro

Uma das perguntas que mais me fazem em sessão de carreira é se a segunda será necessária para o processo seletivo e se o profissional deve ou não fazer um curso de melhoria da sua segunda língua para poder procurar trabalho em Portugal.

A resposta que usualmente dou é se o empregador pedir como requisito a língua, isso significa que em algum momento do processo seletivo o nível vai ser validado. Em muitos processos de seleção, mesmo que o profissional fique a trabalhar em Portugal com equipas multiculturais onde estão portugueses também, as entrevistas de emprego são sempre realizadas na língua de trabalho, usualmente o Inglês. Portanto, a língua é importante e diria que para algumas funções fundamental sendo a seleção feita na língua em que a profissão vai ser desempenhada.

Será importante validar o seu nível segundo os níveis europeus ou pode ler mais sobre os níveis europeus de avaliação de conhecimento de línguas e como um profissional se pode posicionar de forma adequada numa entrevista de emprego.

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