Conhecer o Mercado de Trabalho

Um dos maiores desafios que um profissional enfrenta na sua pesquisa de emprego é sem dúvida conhecer de forma estratégica o mercado de trabalho onde pretende criar oportunidades profissionais. Nas minhas sessões de carreira esta é a actividade em que os profissionais mais demonstram resistência na assimilação e até de compromisso com o processo, independentemente da sua nacionalidade ou nível de experiência.

A experiência diz-me que a maior dificuldade reside no facto de ao conhecimento do mercado de trabalho estar subjacente a necessidade de se aprofundar conhecimento suficiente para se identificar principais sectores de actividade e segmentar estrategicamente o mercado, bem como ser capaz de desenvolver hábitos sistematizados de pesquisa de organizações e potenciais contactos profissionais, quer na principal rede social, o LinkedIn, como também através dos motores de busca.

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Ler é conhecimento. Conhecimento é poder.

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Cada vez que digo que as pessoas deviam ler mais e ver menos televisão não é porque esteja interessada em disseminar quaisquer teorias conspirativas acerca dos media, mas porque por experiência própria sei do que falo. Uma das minhas maiores motivações para ler tanto é porque acredito que quanto mais informação eu tenho menos preciso que pensem por mim e tomem decisões críticas sobre a minha vida e minha carreira. Conhecimento para mim é a chave de tudo na nossa vida!

Por outro lado, ler é fundamental para o meu sucesso como especialista de carreira, não apenas os livros com as tendências de paradigma, mas sobretudo no que diz respeito aos dados de mercado e dinâmicas empresariais que me permitem conhecem o ambiente à minha volta. E essa leitura dá-me a capacidade de ver mais além e com mais detalhe, sem cair nas respostas dogmáticas.
Hoje acabei de ler o meu 43º livro de 2020. Precisamente quando uma profissional se queixava no LinkedIn por não encontrar trabalho em Portugal porque não tinha cunhas.

Se esta profissional lê-se com mais frequência os dados estatísticos sobre o mercado de trabalho em Portugal perceberia por que motivo determinadas funções, em determinados segmentos parecem quase a travessia do deserto. 

5 dicas para uma Carreira em Portugal

Se está a pensar vir morar em Portugal e decidiu que 2021 é o seu ano, e o da sua família, então neste artigo vou dar-lhe 5 dicas fundamentais para poder planear uma transição de carreira mais eficaz no mercado de trabalho em Portugal.

Dinheiro ou Carreira?

A todos os meus profissionais, sejam portugueses ou estrangeiros, eu sempre digo “primeiro o dinheiro, depois a carreira” porque a realidade do mercado de trabalho português e a experiência nesta área dizem-me que a carreira precisa de tempo para ser desenvolvida e o dinheiro “compra-lhe” a única coisa que vai necessitar para estar bem emocionalmente e ter a clarividência para tomar decisões acertadas, ou seja tempo. Parece quase um círculo vicioso e interminável, mas acredite que um profissional sem dinheiro não tem nem a paz de espírito nem o tempo para “corridas de fundo” ou dito de outra forma para fazer a maratona, e é disso que se trata quando falamos da gestão da sua carreira.

Acima de tudo, esteja disponível para a mudança ou para ter um primeiro trabalho em Portugal que lhe dá dinheiro, mas não necessariamente uma carreira de sucesso e isto não significa que vai acabar definitivamente atrás de um balcão num restaurante, mas tão somente que poderá ter que dar um passo atrás para avançar firme. Já agora leia mais sobre a remuneração salarial de Portugal.

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O seu grau académico em Portugal

Uma das perguntas que o profissional estrangeiro mais me coloca é se deve fazer o processo de equivalência do seu grau académico junto de uma universidade portuguesa. Sendo reconhecidamente um processo burocrático e oneroso em termos financeiros, julgo ser crucial abordar este tema, mas trazendo para a discussão dois outros temas que na minha opinião e experiência estão interligados: A conversão da sua classificação final para a lógica de classificação académica portuguesa e a agregação a uma ordem profissional.

Uma das dicas que mais reforço junto de profissionais estrangeiros é a da necessidade de demonstrarem o seu aporte técnico e pessoal através da valorização indireta das organizações onde trabalharam e onde estudaram. Esta valorização pode ser feita subtilmente em entrevista de emprego, mas é sobretudo um truque usado ao nível do curriculum vitae em que o profissional através da valorização do seu empregador ou da universidade está a criar o contexto de valorização para a sua carreira também.

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Remuneração salarial em Portugal

Acredito que um dos grandes desafios que um imigrante enfrenta quando chega ao nosso país é compreender de forma clara o que é a remuneração salarial e como está estruturada em termos financeiros e legais.  Neste artigo, o meu objectivo é explicar-lhe da forma mais simplificada possível o que será o seu salário, que tipo de contribuições e descontos deverá realizar e como é que este é composto.

Em primeiro lugar, o mercado de trabalho português faz uma diferenciação entre Remuneração Base Remuneração Acessória, sendo que a primeira diz respeito ao salário base assente no princípio da disponibilidade do profissional para o trabalho e a segunda a todos os benefícios, subsídios e demais pagamentos complementares, como por exemplo os subsídios de férias e natal e o subsídio de alimentação. A Remuneração Final Mensal, composta pelo salário base e pelos benefícios acordados ou subsídios complementares acessórios, é considerada bruta ou ilíquida antes de o profissional realizar as suas contribuições para a segurança social e impostos e líquida quando recebe o dinheiro na sua conta após todos os descontos obrigatórios por lei que são processados directamente pelo seu empregador.

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Vamos conversar sobre línguas?

Os portugueses são conhecidos na Europa por terem uma habilidade extraordinária para falar línguas, no meu caso que sou considerada um C2 a Inglês (não se preocupe que já lhe explico o que isso significa!), perguntam-me com alguma frequência onde adquiri um nível tão alto e há uma espécie de incredulidade quando conto que nunca tive aulas específicas para a língua, mas apenas o conhecimento e prática adquiridos ao longo do ensino.

Na verdade, creio que a nossa habilidade adicional para a aprendizagem de outras línguas não se explica simplesmente com o nosso ensino escolar, embora goste de ver o ar surpreso na cara da outra pessoa.

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O que deve saber sobre Portugal

Foto Pedro Santos

Sendo portuguesa não serei a pessoa mais indicada para lhe dar uma visão do que significa mudar de país, das dificuldades pessoais que vai encontrar quando deixar para trás a sua família e os que mais ama em busca de uma vida na qual acredita. Posso, no entanto, dar-lhe a minha visão do meu país, e especialmente do mercado de trabalho onde tenho experiência como especialista e também como profissional que possui carreira em Portugal.

A primeira noção que deve ter é que Portugal é, em todas as suas dimensões, um país pequeno, com recursos muito limitados e com um mercado de trabalho conservador e pouco dinâmico. Isto não significa que este mercado em particular não tenha uma oportunidade de carreira ou projecto de vida para si, mas os dados que em seguida lhe apresento são uma espécie de alerta na busca do seu sonho em vir morar em Portugal. 

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A empatia

A empatia é demasiado valorizada. Por vezes parece que sofre da mesma enfermidade que a liderança, todos usam e ninguém sabe verdadeiramente para que serve. A “coitada” da empatia carrega nos seus ombros o peso da simpatia, do altruísmo, da generosidade, da sinceridade, e até nalguns contextos mais obscuros, da nossa autoconfiança.

Explicar a um profissional que a sua empatia é baixa é como dar uma má notícia, quase tão terrível quanto explicar-lhe que é uma pessoa impulsiva. E Deus nos livre de pessoas impulsivas, instáveis e sem capacidade de empatia pelo outro. Se tal facto fosse uma verdade universal eu já teria deixado esta profissão há muito, possuo pouca empatia e muita impulsividade. 

A empatia mais não é do que a nossa capacidade de nos identificarmos intelectual ou afetivamente com os outros ou com ideias. Se isto não ocorre com alguma frequência na sua vida pode querer apenas dizer que tem uma estrutura mental ou afetiva mais peculiar, diferente da maioria, nada que uma boa dose de abertura e confiança não resolvam.

Regresso de férias

Numa rápida visita a uma loja de comércio local dei por mim a ajudar um desconhecido a escolher um polo. Na verdade, creio que a sua intenção era apenas que o ajudasse a escolher entre a versão branca e a versão cinzenta que já tinha pré-selecionado, mas quando lhe perguntei para que efeito era e me respondeu que era para ir a uma entrevista de emprego, eu disse-lhe que nenhum. Diz-me a experiência que mesmo para um português escolhas tão “insignificantes” como estas são difíceis e geradoras de alguma ansiedade.

Consegue imaginar o nível de insegurança ou dúvida quando se trata de um estrangeiro?

Para ele foi surpreendente e inesperada a escolha da cor, para mim foi mais um reminder do que é verdadeiramente o meu propósito e missão.

PS – “Escolhemos” um bordeaux clássico.

História de uma Conselheira de Carreira

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Chamemos-lhe Manuel. Soube nos primeiros minutos de conversa a sós que a atitude extrovertida e sociável com que se tinha apresentado no meu workshop tinham conseguido esconder algo muito mais profundo e mais sombrio. Não foi difícil perceber que não era fruto de qualquer intimidação momentânea que sentisse por estar ali comigo e por me ter dito que tinha “sonhado” com aquele nosso encontro, não tivesse sido um anjo da guarda – o seu – a dar-lhe a boa nova. Era antes uma estrutura interna já montada e enraizada, algo que muitos de nós, conselheiros de carreira, temos uma tendência quase cega para relevar e não dar a devida atenção.

Seria a nossa primeira e última conversa, mas tenho a certeza que nunca o esquecerei. Perdi-o para o suicídio, mas sei que mesmo antes de se suicidar a sua vida já estava perdida. Não pelas sombras que carregava dentro de si há muito e não pela sua dificuldade em se recuperar emocionalmente a cada rejeição ocasional que a vida tinha o condão de lhe oferecer como oportunidade de crescimento e reforço individual, mas pelas circunstâncias peculiares que conduziram a sua personalidade ao comportamento que ditaria o resto da sua vida curta.

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