Quem não é visto, não é contratado

“Quem não é visto, não é contratado”, ali estava mais uma vez a passar pela minha timeline a infame frase que muitos conselheiros de carreira usam como apanágio para uma presença digital ou supostamente a justificação para que qualquer profissional queira desenvolver a sua marca pessoal como se fosse o elemento central da gestão estratégica da sua carreira.

Não pude deixar de pensar, o que significa ser visto? Nesta perspetiva, o que é preciso fazer para ser contratado? E será que algum departamento de recursos humanos (no seu perfeito juízo) só recruta quem é visto? E as funções de mercado que são escassas; esses profissionais também precisam de ser vistos? E os profissionais que não querem ser vistos, não podem ser contratados?

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Mercúrio e o seu Networking

Hoje é um bom dia para a disseminação da sua mensagem profissional. Para o seu networking. Precisamente às 8h25 desta manhã Mercúrio ingressou em Leão onde ficará por 14 dias, precisamente hoje que é quarta-feira, o seu dia. Para voltar a ter esta oportunidade só em 2022.

Para os Romanos e Gregos, Mercúrio ou Hermes, era o mensageiro dos Deuses com as sandálias aladas, para os Vikings Loki, para os Anglo-Saxões Woden (“Woden’s Day”) e para os egípcios Thoth que regia a magia, a ciência e o julgamento dos mortos. Pela sua proximidade angular ao Sol que nunca é superior a 28 graus, os egípcios acreditavam que Thoth era o coração e a língua de Ra, ou seja, o veículo que possibilitava a disseminação do potencial solar.

Mercúrio é, segundo a Astrologia, a disseminação e a comunicação das ideias. É o planeta que rege os processos mentais, analíticos e também as opiniões. É essencialmente a nossa capacidade de comunicar e para desenvolvermos contactos e nos ligarmos uns aos outros. O networking, portanto. Por estar sempre na zona do céu muito próxima ao Sol, só é possível ser avistado ao amanhecer e ao anoitecer, o que lhe conferiu a alcunha de “The Trickster”. Mercúrio pode ser elusivo ou evasivo e por este motivo a comunicação clara, transparente e estratégica é tão importante, em especial a que diz respeito à nossa carreira.

O mensageiro dos Deuses ingressou hoje em Leão, regido pelo Sol e que é nada mais nada menos do que a nossa expressão individual máxima, a nossa criatividade, o nosso potencial solar à espera de ser acordado, de ser posto lá fora para todos o vejam e reconheçam como tal.

Até dia 11 de Agosto, terá uma oportunidade única para dar a conhecer aos outros a sua mensagem, o seu potencial e o seu propósito, com autoridade e com confiança, pois quando falamos de Leão, falamos também de uma multidão à espera de ser “evangelizada”. Depois disso, a conversa será outra, muito provavelmente sobre separar o trigo do joio.

Para mais informações sobre consultas vocacionais ou outros serviços envie email para margarida@margarida-barbosa.com.

A Astrologia e a nossa Vocação

Sidney Hall’s (?-1831) ilustração de Sagitário e Corona Australis em carta astronómica. O centauro Sagitário com o arco, a flecha, o telescópio e o microscópio a formarem a constelação. Original na Biblioteca do Congresso.

Olho em redor, do meu lado direito na secretária tenho uma pilha de livros com listas detalhadas de palavras-chave dos planetas, usadas em diferentes interpretações, e do outro, à minha esquerda, o livro das efemérides, dois livros de tabelas de casas astrológicas para sistemas diferentes de divisão e por fim no topo os meus cálculos manuais de mapas, exercícios que têm feito parte da minha avaliação periódica. A minha secretária está um caos, o que convenhamos não é usual em mim. Esta é a minha realidade hoje. Voltei a usar lápis e borracha, voltei a usar o meu tempo livre para literalmente devorar o que todos estes livros contêm, e sobretudo, voltei a incorporar o espírito de sacrifício que um devoto da sua arte, independentemente do grau de envolvimento, deve possuir. A realidade é que voltei a estudar.

Escrevo este artigo, não porque precise de algum tipo de aprovação para os estudos que escolhi prosseguir e que sei que farão parte integrante da minha profissão, mas porque acredito que é importante que a minha rede de contactos compreenda porque escolhi a Astrologia e não a Psicologia ou os Recursos Humanos e porque acredito que brevemente estarei mais focada na vocação individual do que na gestão de carreira.

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Uma história real sobre Empatia

Quero-vos contar uma história sobre a empatia…

Há cerca de um ano comecei a acompanhar uma profissional com uma carreira relevante em funções de gestão a nível nacional e internacional. Na nossa primeira conversa, percebi claramente que havia uma angústia intensa por causa da sua “falta de empatia” e do seu foco excessivo nos resultados, mas não sendo usual um profissional conseguir identificar dois indicadores específicos da sua personalidade, caracterizando-os à partida como negativos, questionei-a por que motivo achava que tinha pouca empatia ou demasiada orientação para resultados.

É aqui que a história se torna interessante…

Conversámos muito naquela primeira sessão que fizemos as duas. Falámos sobre as suas aventuras no liceu e como foi sempre uma excelente aluna, falámos sobre as suas experiências internacionais e como ainda hoje mantinha essas ligações, inclusive sendo convidada regular nos casamentos e festas mais importantes de antigos colegas e chefias, falámos dos riscos que correu para poder ter os seus filhos e como aceitou incondicionalmente os que o marido trouxe consigo, mas também falámos sobre a sua incompreensão por nos últimos anos receber constantemente as melhores avaliações na sua organização e sempre que chega o dia do seu assessment geral há sempre um detalhe que falha. Desta vez tinha sido a sua “falta de empatia” e o seu foco excessivo nos resultados. 

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A tríade

Markus Winkler

A sua Biografia Profissional, o seu Curriculum Vitae e o seu LinkedIn são na prática tudo o que precisa para espalhar aos quatro ventos a sua mensagem. Esta mensagem, assenta em quem é (personalidade), no que sabe fazer (perfil profissional) e no que quer fazer(motivações). 

Diria que é uma tríade ou uma “entente cordiale” que vai espelhar para o mercado de trabalho. Pense, a sua personalidade, de forma holística, desenvolveu um perfil profissional que tem preferências, querendo escolher e ser reconhecido por isso. Se por causa desta personalidade, nasceu um perfil polivalente que tem dentro si diversas “personas” profissionais não tenha receio, mas seja capaz de fazer escolhas e seja responsável por elas.

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Este país não é para meninos

Source: Clay Banks

Este país não é para meninos, nem para meninas. Se pensa que por ter estudado numa boa universidade ou por ter acabado com distinção o seu Mestrado vai obter vantagem no acesso a oportunidades profissionais desengane-se, pois, caso ainda não tenha dado conta a sua expectativa é fazer carreira em Portugal e neste país o mercado de trabalho é uma espécie de buraco negro que nem luz reflecte. Deixe-me fazer-lhe as “honras da casa”.

Estudar neste país serve para pouco, em especial quando há quem se passeie com um sobrenome que é um autêntico passe-livre no acesso às oportunidades. Se é o seu caso, espero honestamente que seja homem pois quando entrar no mercado de trabalho já leva de avanço cerca de 16% de diferença salarial em relação à sua concorrente mulher. Nada mau, pois não? E fica melhor! Quando chegar a quadro superior, mesmo sem qualquer pinga de mérito, a diferença salarial passa para uns estrondosos 27%. E quem diz que o Natal não é quando o homem quiser?

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5 dicas para uma Carreira em Portugal

Se está a pensar vir morar em Portugal e decidiu que 2021 é o seu ano, e o da sua família, então neste artigo vou dar-lhe 5 dicas fundamentais para poder planear uma transição de carreira mais eficaz no mercado de trabalho em Portugal.

Dinheiro ou Carreira?

A todos os meus profissionais, sejam portugueses ou estrangeiros, eu sempre digo “primeiro o dinheiro, depois a carreira” porque a realidade do mercado de trabalho português e a experiência nesta área dizem-me que a carreira precisa de tempo para ser desenvolvida e o dinheiro “compra-lhe” a única coisa que vai necessitar para estar bem emocionalmente e ter a clarividência para tomar decisões acertadas, ou seja tempo. Parece quase um círculo vicioso e interminável, mas acredite que um profissional sem dinheiro não tem nem a paz de espírito nem o tempo para “corridas de fundo” ou dito de outra forma para fazer a maratona, e é disso que se trata quando falamos da gestão da sua carreira.

Acima de tudo, esteja disponível para a mudança ou para ter um primeiro trabalho em Portugal que lhe dá dinheiro, mas não necessariamente uma carreira de sucesso e isto não significa que vai acabar definitivamente atrás de um balcão num restaurante, mas tão somente que poderá ter que dar um passo atrás para avançar firme. Já agora leia mais sobre a remuneração salarial de Portugal.

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História de uma Conselheira de Carreira

VIDA PERDIDA.png

Chamemos-lhe Manuel. Soube nos primeiros minutos de conversa a sós que a atitude extrovertida e sociável com que se tinha apresentado no meu workshop tinham conseguido esconder algo muito mais profundo e mais sombrio. Não foi difícil perceber que não era fruto de qualquer intimidação momentânea que sentisse por estar ali comigo e por me ter dito que tinha “sonhado” com aquele nosso encontro, não tivesse sido um anjo da guarda – o seu – a dar-lhe a boa nova. Era antes uma estrutura interna já montada e enraizada, algo que muitos de nós, conselheiros de carreira, temos uma tendência quase cega para relevar e não dar a devida atenção.

Seria a nossa primeira e última conversa, mas tenho a certeza que nunca o esquecerei. Perdi-o para o suicídio, mas sei que mesmo antes de se suicidar a sua vida já estava perdida. Não pelas sombras que carregava dentro de si há muito e não pela sua dificuldade em se recuperar emocionalmente a cada rejeição ocasional que a vida tinha o condão de lhe oferecer como oportunidade de crescimento e reforço individual, mas pelas circunstâncias peculiares que conduziram a sua personalidade ao comportamento que ditaria o resto da sua vida curta.

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Atalhar caminho

Individual success is a myth.png

Adoro atalhos.

Nada como usarmos o elevador em vez das escadas, é mais rápido e muito menos cansativo, afinal as escadas foram feitas para os que precisam de exercício físico. Se precisar excepcionalmente de usar o Metro, o Estado certamente não se importará que eu me cole a alguém que tem um título já pago, afinal os meus impostos também sustentam os “parasitas” da sociedade. Quando me espalho ao comprido no desempenho das minhas obrigações profissionais posso sempre deixar que o estagiário fique com o ônus da culpa, afinal ele ainda precisa de aprender mais do que eu.

Mas a nossa carreira não é um atalho, pois não? A nossa carreira e o que fazemos dela é uma espécie de caminho sinuoso em que a cada etapa encontramos um enigma ao qual precisamos de dar resposta. Por vezes não existe uma resposta óbvia e nalguns momentos estes enigmas não têm sequer resposta única. A Vida é assim mesmo, sem escolhas únicas e respostas óbvias.

Mas escolha o que escolher, não vá pelo atalho.

VUCA: O caminho para lá chegarmos

VUCA.png

“Across many industries, a rising tide of volatility, uncertainty, and business complexity is roiling markets and changing the nature of competition”

Doheny, Nagali & Weig, 2012

Antes que desista já da leitura deste artigo, deixe-me explicar-lhe que o meu objectivo não é fazer uma dissertação monótona e superficial sobre o acrónimo VUCA, nem tão pouco dar-lhe algum tipo de insight pessoal sobre novos modelos de gestão e liderança neste mundo que está ainda no seu amanhecer. Creio que muito já se escreveu sobre o assunto, e, portanto, não acredito que possa acrescentar, com honestidade e conhecimento suficiente, uma teoria sobre estes temas neste contexto ainda pouco explorado. Para lhe ser sincera não me motivam as organizações e os conceitos abstractos, mas sim as pessoas e é sobre elas que quero conversar.

First things first.

O acrónimo VUCA foi criado no meio militar e amplamente usado para identificar cenários que são desafiantes do ponto de vista do seu diagnóstico, e, por conseguinte, com características específicas de imprevisibilidade que tornam difícil o desenvolvimento de uma estratégia de planeamento eficaz. No virar do século o acrónimo entrou definitivamente no léxico organizacional e civil, e desde então tem sido a referência para identificar um mundo globalizado, de raiz tecnológica e digital, altamente competitivo, e que se rege em larga medida por dinâmicas que lhe conferem um senso generalizado de imprevisibilidade e complexidade.

A sua transposição para o mundo civil não foi um mero acaso e muito menos uma adaptação forçada e artificial ao meio organizacional, mas o extravasamento de um mecanismo já compreendido e integrado noutros contextos que pode tornar mais fácil a transição para uma nova ordem mundial cujos meandros ainda não conhecemos verdadeiramente. O mundo VUCA não é em si mesmo um fim, mas antes uma espécie de mal necessário em virtude dos eventos históricos peculiares que vivemos nos últimos trinta e cinco anos e que nos conduziram passo a passo até ao ano de 2020. É portanto, o meio pelo qual podemos discernir e antever cenários e respostas a realidades que nos parecem voláteis, incertas, complexas e ambíguas.

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