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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

05
Nov20

Ler é conhecimento. Conhecimento é poder.

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Cada vez que digo que as pessoas deviam ler mais e ver menos televisão não é porque esteja interessada em disseminar quaisquer teorias conspirativas acerca dos media, mas porque por experiência própria sei do que falo. Uma das minhas maiores motivações para ler tanto é porque acredito que quanto mais informação eu tenho menos preciso que pensem por mim e tomem decisões críticas sobre a minha vida e minha carreira. Conhecimento para mim é a chave de tudo na nossa vida!

Por outro lado, ler é fundamental para o meu sucesso como especialista de carreira, não apenas os livros com as tendências de paradigma, mas sobretudo no que diz respeito aos dados de mercado e dinâmicas empresariais que me permitem conhecem o ambiente à minha volta. E essa leitura dá-me a capacidade de ver mais além e com mais detalhe, sem cair nas respostas dogmáticas.
Hoje acabei de ler o meu 43º livro de 2020. Precisamente quando uma profissional se queixava no LinkedIn por não encontrar trabalho em Portugal porque não tinha cunhas.

Se esta profissional lê-se com mais frequência os dados estatísticos sobre o mercado de trabalho em Portugal perceberia por que motivo determinadas funções, em determinados segmentos parecem quase a travessia do deserto. 

11
Set20

A empatia

A empatia é demasiado valorizada. Por vezes parece que sofre da mesma enfermidade que a liderança, todos usam e ninguém sabe verdadeiramente para que serve. A “coitada” da empatia carrega nos seus ombros o peso da simpatia, do altruísmo, da generosidade, da sinceridade, e até nalguns contextos mais obscuros, da nossa autoconfiança.

Explicar a um profissional que a sua empatia é baixa é como dar uma má notícia, quase tão terrível quanto explicar-lhe que é uma pessoa impulsiva. E Deus nos livre de pessoas impulsivas, instáveis e sem capacidade de empatia pelo outro. Se tal facto fosse uma verdade universal eu já teria deixado esta profissão há muito, possuo pouca empatia e muita impulsividade. 

A empatia mais não é do que a nossa capacidade de nos identificarmos intelectual ou afetivamente com os outros ou com ideias. Se isto não ocorre com alguma frequência na sua vida pode querer apenas dizer que tem uma estrutura mental ou afetiva mais peculiar, diferente da maioria, nada que uma boa dose de abertura e confiança não resolvam.

02
Set20

Regresso de férias

Regresso de férias.

Numa rápida visita a uma loja de comércio local dei por mim a ajudar um desconhecido a escolher um polo. Na verdade, creio que a sua intenção era apenas que o ajudasse a escolher entre a versão branca e a versão cinzenta que já tinha pré-selecionado, mas quando lhe perguntei para que efeito era e me respondeu que era para ir a uma entrevista de emprego, eu disse-lhe que nenhum. Diz-me a experiência que mesmo para um português escolhas tão “insignificantes” como estas são difíceis e geradoras de alguma ansiedade.

Consegue imaginar o nível de insegurança ou dúvida quando se trata de um estrangeiro?

Para ele foi surpreendente e inesperada a escolha da cor, para mim foi mais um reminder do que é verdadeiramente o meu propósito e missão.

PS - “Escolhemos” um bordeaux clássico.

16
Ago20

#1 Histórias de uma Conselheira de Carreira

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Chamemos-lhe Manuel. Soube nos primeiros minutos de conversa a sós que a atitude extrovertida e sociável com que se tinha apresentado no meu workshop tinham conseguido esconder algo muito mais profundo e mais sombrio. Não foi difícil perceber que não era fruto de qualquer intimidação momentânea que sentisse por estar ali comigo e por me ter dito que tinha "sonhado" com aquele nosso encontro, não tivesse sido um anjo da guarda - o seu - a dar-lhe a boa nova. Era antes uma estrutura interna já montada e enraizada, algo que muitos de nós, conselheiros de carreira, temos uma tendência quase cega para relevar e não dar a devida atenção.

Seria a nossa primeira e última conversa, mas tenho a certeza que nunca o esquecerei. Perdi-o para o suicídio, mas sei que mesmo antes de se suicidar a sua vida já estava perdida. Não pelas sombras que carregava dentro de si há muito e não pela sua dificuldade em se recuperar emocionalmente a cada rejeição ocasional que a vida tinha o condão de lhe oferecer como oportunidade de crescimento e reforço individual, mas pelas circunstâncias peculiares que conduziram a sua personalidade ao comportamento que ditaria o resto da sua vida curta.

Manuel era o tipo de jovem que não passava despercebido em lado nenhum, mas carregava dentro de si um demónio que poucos conheceram ou reconheceram existir. Contudo ele estava lá, à espera da sua primeira oportunidade. Não demorou muito.

Quando me despedi dele e o vi sair pela porta, a minha intuição disse-me que aquela era uma alma a precisar desesperadamente de uma salvação que eu nem tive a certeza de conseguir oferecer. Mas a razão foi contundente: "Tu não! Tu não salvas pessoas, tu ajuda-las. E nem sequer sabes se o Manuel quer ajuda quanto mais salvação!"

Lembrar-me-ei sempre dele, independentemente da moral e da ética que rodearam as circunstâncias que o levaram ao desfecho final. Lembrar-me-ei sempre dele porque a próxima alma que vir sair pela porta e a minha intuição gritar comigo, talvez esqueça a voz da razão e decida tentar salvá-la.

11
Ago20

O Conselheiro de Carreira

Não cabe ao conselheiro de carreira dizer o que está certo e errado, nem tão pouco induzir o profissional na percepção de que existem fórmulas secretas e mágicas na gestão da sua carreira.
As variáveis são tantas que apenas é possível e aceitável levar o profissional pela mão e mostrar-lhe as possibilidades disponíveis, e para isso o conselheiro de carreira tem de se fazer valer de 2 valores fundamentais: Maturidade Pessoal e Experiência Profissional, seja ela qual for.

Sem isto, será apenas um papagaio a reproduzir uma teoria ou metodologia sem a visão subjacente.

27
Jul20

Os especialistas smoothie e a Cristina Ferreira

Sobre o dom da propriedade.

Há muita gente cheia de propriedade em Portugal. Muitos exercem o seu direito de propriedade sobre as “coisas”, mas os que eu aprecio particularmente são os que esbanjam as suas qualidades inerentes ou virtudes particulares por essas timelines fora. Eu apelido-os carinhosamente de “especialistas smoothie”. Basta atirar os ingredientes todos para dentro de uma liquidificadora e garantidamente vai sair qualquer coisa. Garantidamente...

Estes especialistas exercem usualmente o seu direito de propriedade nas redes sociais, mas no seu caso, e provavelmente como resultado da sua megalotimia, mimam-nos com artigos mais ou menos abjetos sobre toda a espécie de teorias e conhecimento num estilo muito Wikipédia onde cada um pode dar asas à sua verborreia da forma e nos moldes em que lhe apetecer. Basta alguma noção de propriedade, afinal.

Escrever com propriedade sobre a Cristina Ferreira e as teorias conspiratórias que a levaram de volta à TVI é tão verosímil como iniciar a demanda com um “eu não sou fã, nem vejo os seus programas”. É tão credível como aquelas pessoas que conhecem cada personagem das novelas icónicas, mas dizem que nunca puseram os olhos numa!

Fica-vos bem.

24
Jun20

Atalhar caminho

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Adoro atalhos.

Nada como usarmos o elevador em vez das escadas, é mais rápido e muito menos cansativo, afinal as escadas foram feitas para os que precisam de exercício físico. Se precisar excepcionalmente de usar o Metro, o Estado certamente não se importará que eu me cole a alguém que tem um título já pago, afinal os meus impostos também sustentam os “parasitas” da sociedade. Quando me espalho ao comprido no desempenho das minhas obrigações profissionais posso sempre deixar que o estagiário fique com o ônus da culpa, afinal ele ainda precisa de aprender mais do que eu.

Mas a nossa carreira não é um atalho, pois não? A nossa carreira e o que fazemos dela é uma espécie de caminho sinuoso em que a cada etapa encontramos um enigma ao qual precisamos de dar resposta. Por vezes não existe uma resposta óbvia e nalguns momentos estes enigmas não têm sequer resposta única. A Vida é assim mesmo, sem escolhas únicas e respostas óbvias.

Mas escolha o que escolher, não vá pelo atalho.

19
Mai20

Potencial Solar

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Potencialmente cada um de nós não é apenas uma função, uma profissão ou um conjunto de tarefas adstritas a um descritivo funcional. Potencialmente somos muito mais do que apenas “isto”, mas ainda assim investimos anos das nossas vidas na conquista do reconhecimento da nossa habilidade em sermos especializados, ou especiais, não fosse a “especialidade” a qualidade do que é especial. A nossa sangria pela “especialidade” não começa na carreira e nem na escola, mas em casa, junto do núcleo familiar e mais próximo onde aprendemos a lutar pelo reconhecimento, pela validação e pelo feedback.

Alguns de nós conseguirão aprender que não podem ficar presos neste processo, outros necessitarão dele uma vida inteira, afetando impiedosamente as suas relações e dinâmicas pessoais, mas inevitavelmente as profissionais também. Muitos dos que ficam presos neste processo são, para nosso espanto, algumas das nossas chefias directas e aquelas com quem temos de lidar diariamente.

Se nos conseguirmos libertar da necessidade de nos especializarmos para nos sentirmos “especiais” e indispensáveis aos olhos dos outros, o potencial em cada um de nós é imenso. Basta que para tal sejamos mais honestos connosco e com a nossa essência solar.

07
Mai20

5 Sessões Práticas para quem procura trabalho

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Tenho dito e repetido vezes sem conta, eu não faço, mas ensino o profissional a fazer! Hoje é difícil essa aprendizagem, mas amanhã quandos os ventos mudarem estará preparado para desenvolver e implementar de forma eficaz a sua estratégia de pesquisa de emprego.

O Programa Business é composto por 5 sessões práticas para o desenvolvimento e elaboração de Curriculum Vitae (em 1 ou mais línguas), para a aquisição de uma metodologia de identificação e abordagem a potenciais empregadores e também para a criação de emailing de candidatura espontânea.

Este serviço não tem qualquer "fee de colocação" e o profissional terá acesso um template profissional de curriculum vitae à sua escolha.

Peça-me informações para

27
Abr20

Navegar em águas profundas

Os dois lados da mesma moeda. Não é preciso um manual de boas práticas de pesquisa de emprego para sabermos que um bom contacto é meio caminho andado para uma maior ligeireza na criação de uma nova oportunidade profissional. Mas, possuir um bom contacto não significa necessariamente que este nos sirva de validação ou reforço pessoal e profissional ad eternum. Isto é válido para o curriculum vitae e sobretudo para a entrevista de emprego.

Lembre-se, sempre e quando menciona um determinado nome de contacto profissional quer no curriculum vitae quer na entrevista está a dar um "tiro no escuro" ou tão-somente a "navegar em águas profundas". Como não pode controlar na totalidade a forma como vai ser percepcionado pelo receptor, não pode na verdade garantir que a pessoa que está do outro lado não conhece o mesmo contacto até de uma forma pouco expectável.

Navegar em águas profundas não é mau, mas é só para quem confia cegamente no facto de não conseguir ver o fundo do mar. Compreende? 

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos.

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