A propósito da liderança

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Uma das minhas amigas, arquitecta num organismo público, contava-me um destes dias que se tinha oferecido para organizar e realizar algumas das responsabilidades da sua chefia directa. A sua oferta não tinha nada a ver com bondade ou sequer ingenuidade, mas porque ela sabia que ajudar a sua chefia num momento em que esta lhe parecia literalmente assoberbada com trabalho era uma forma de ajudar o grupo e contribuir para o bem-comum.

Perguntou-me se eu achava que isso também poderia ser considerado “liderança” e após alguma hesitação disse-lhe que sim. Afinal contribuir de forma construtiva para o funcionamento da equipa no seu todo e influenciar de forma decisiva o resultado final pode ser também da responsabilidade implícita de um líder. Mas depois fiquei a pensar nisto…e fui ao dicionário. 

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Talento

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Um dia, uma das minhas melhores amigas pediu-me que ajudasse o marido a fazer o Curriculum Vitae. No fim, perguntou-me onde é que tinha desenvolvido tal talento* e eu simplesmente respondi-lhe que intuitivamente eu via onde é que as palavras deviam encaixar. Voltei a pensar nesse momento.

Embora tenha uma razão astrológica para enquadrar a minha mente que gira em torno das palavras, a verdade é que este post não é sobre Astrologia; nos últimos tempos tenho pensado muito sobre se de facto não tenho algo inato* para construir informação curricular e depois lembrei-me do quanto me sinto “miserável” e aborrecida quando penso que tenho de fazer o meu! Sim “casa de ferreiro, espeto de pau”.

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A tríade

Markus Winkler

A sua Biografia Profissional, o seu Curriculum Vitae e o seu LinkedIn são na prática tudo o que precisa para espalhar aos quatro ventos a sua mensagem. Esta mensagem, assenta em quem é (personalidade), no que sabe fazer (perfil profissional) e no que quer fazer(motivações). 

Diria que é uma tríade ou uma “entente cordiale” que vai espelhar para o mercado de trabalho. Pense, a sua personalidade, de forma holística, desenvolveu um perfil profissional que tem preferências, querendo escolher e ser reconhecido por isso. Se por causa desta personalidade, nasceu um perfil polivalente que tem dentro si diversas “personas” profissionais não tenha receio, mas seja capaz de fazer escolhas e seja responsável por elas.

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A empatia

A empatia é demasiado valorizada. Por vezes parece que sofre da mesma enfermidade que a liderança, todos usam e ninguém sabe verdadeiramente para que serve. A “coitada” da empatia carrega nos seus ombros o peso da simpatia, do altruísmo, da generosidade, da sinceridade, e até nalguns contextos mais obscuros, da nossa autoconfiança.

Explicar a um profissional que a sua empatia é baixa é como dar uma má notícia, quase tão terrível quanto explicar-lhe que é uma pessoa impulsiva. E Deus nos livre de pessoas impulsivas, instáveis e sem capacidade de empatia pelo outro. Se tal facto fosse uma verdade universal eu já teria deixado esta profissão há muito, possuo pouca empatia e muita impulsividade. 

A empatia mais não é do que a nossa capacidade de nos identificarmos intelectual ou afetivamente com os outros ou com ideias. Se isto não ocorre com alguma frequência na sua vida pode querer apenas dizer que tem uma estrutura mental ou afetiva mais peculiar, diferente da maioria, nada que uma boa dose de abertura e confiança não resolvam.

Regresso de férias

Numa rápida visita a uma loja de comércio local dei por mim a ajudar um desconhecido a escolher um polo. Na verdade, creio que a sua intenção era apenas que o ajudasse a escolher entre a versão branca e a versão cinzenta que já tinha pré-selecionado, mas quando lhe perguntei para que efeito era e me respondeu que era para ir a uma entrevista de emprego, eu disse-lhe que nenhum. Diz-me a experiência que mesmo para um português escolhas tão “insignificantes” como estas são difíceis e geradoras de alguma ansiedade.

Consegue imaginar o nível de insegurança ou dúvida quando se trata de um estrangeiro?

Para ele foi surpreendente e inesperada a escolha da cor, para mim foi mais um reminder do que é verdadeiramente o meu propósito e missão.

PS – “Escolhemos” um bordeaux clássico.

Navegar em águas profundas

Os dois lados da mesma moeda. Não é preciso um manual de boas práticas de pesquisa de emprego para sabermos que um bom contacto é meio caminho andado para uma maior ligeireza na criação de uma nova oportunidade profissional. Mas, possuir um bom contacto não significa necessariamente que este nos sirva de validação ou reforço pessoal e profissional ad eternum. Isto é válido para o curriculum vitae e sobretudo para a entrevista de emprego.

Lembre-se, sempre e quando menciona um determinado nome de contacto profissional quer no curriculum vitae quer na entrevista está a dar um “tiro no escuro” ou tão-somente a “navegar em águas profundas”. Como não pode controlar na totalidade a forma como vai ser percepcionado pelo receptor, não pode na verdade garantir que a pessoa que está do outro lado não conhece o mesmo contacto até de uma forma pouco expectável.

Navegar em águas profundas não é mau, mas é só para quem confia cegamente no facto de não conseguir ver o fundo do mar. Compreende? 

Gráficos que nos fazem sorrir

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Existem dois momentos particularmente difíceis para um profissional no desenvolvimento da sua estratégia de pesquisa de emprego. O primeiro está relacionado com o desdobramento funcional fundamental na elaboração do curriculum vitae, pois é-lhe pedido que compreenda a sua função de forma mais conceptual e abstracta. Para muitos é uma incógnita!

O segundo está relacionado com a capacidade para compreender e implementar acções de segmentação do mercado de trabalho, fundamentais para posteriormente saber o que fez e como fez. Nesta fase o mais difícil nem é saber como começar, é sobretudo ser capaz de manter o rigor e persistência no processo ao longo do tempo.

Por estes dias pedi a uma profissional que me fizesse um resumo objectivo da pesquisa de oportunidades já realizadas e este foi apenas um dos gráficos que me apresentou. É isso, saber o que fez e como fez.

Enquanto assim for saberá sempre para onde tem que ir. 

Lideres Instantâneos

O mercado de trabalho anda deslumbrado com a palavra liderança. Todos querem ser líderes e os mais novos acham que ser líder de “qualquer coisa” é o barómetro do seu sucesso profissional, mesmo que na realidade e na prática não façam a gestão efectiva de nada. Para muitos é a sua sorte andarem iludidos.

Ser líder não é uma palavra vazia de significado, superficial, e muito menos uma responsabilidade que se aceite de ânimo leve. Esta tem de ser aceite com um profundo espírito de serviço aos outros e com uma indelével vontade de promover o bem comum.

Se muitos que apregoam aos quatro ventos a palavra liderança tivessem que se sentar no lugar do condutor, convivendo genuinamente com o facto de que a vida e a segurança de todos os que estão na viatura estaria nas suas mãos, a verborreia destilada por essas timelines fora seria menor com toda a certeza.

PS – Ser “líder” com o risco associado nos outros também não conta.

A passear de carro na Amadora…

Em 2015 um adepto do Benfica (branco) foi espancado por um polícia em frente ao seu filho menor. O polícia foi condenado e o acto em si condenado por todos nós. E bem diga-se.

Em 2020 uma mulher (para seu azar preta) foi espancada à frente da sua filha menor cujo espetáculo último é o estado da sua cara. Uma verdadeira obra de arte feita por estes polícias novatos que vêm aprender a “arte do seu ofício” a este grande palco de variedades que é a Amadora.

Em 2015, o branco reagiu indignado à atitude do PSP e levou na tromba. Em 2020, a preta é obrigada a apanhar no focinho e a fingir de conta que tem o mesmo tratamento por parte de todos nós como se fosse branca. E a ver o seu passado – aceitável ou não – a servir de justificação.

A única pergunta que nos devemos fazer é se o contexto merecia aquele tratamento de massagem personalizado. O resto é verborreia espalhada na caixa de esgoto da Humanidade.

É isto. Agora vou ali usufruir dos meus privilégios de branca da Amadora e beber o meu café com leite.

Passagens administrativas e não só!

Não é segredo o quanto eu tenho defendido uma mudança na Educação, em favor de uma visão estratégica de Estado e do nosso posicionamento no Mundo e como ferramenta ao serviço de um Mercado de Trabalho mais justo e dinâmico, mas o debate de ontem na Assembleia da República deixou-me perplexa.

Deixou-me perplexa, não com a possibilidade de oficializarmos as “passagens administrativas” dos miúdos até ao 9º ano, mas essencialmente porque os nossos ilustres deputados estiveram a debater um tema “vazio”.

Passagens administrativas até ao 9º ano já se fazem neste país há muito tempo, em especial com certas minorias étnicas ditas problemáticas, tal como se faz uma clara diferenciação – e por conseguinte de estatuto – das turmas A para as restantes, tal como também certas escolas pedem “donativos” no momento da inscrição de um aluno novo. Dá direito a um smile no canto superior direito.

Percebem onde acaba esta conversa?