O corredor da morte

Lembro-me que na minha escola uma das práticas instituídas era o uso do “corredor da morte” para premiar os delatores da turma, ou melhor dizendo os “chibos” que tanto queriam cair nas boas graças do Director de Turma que a única graça que alcançavam era a do código de conduta do grupo.

Num destes dias tentei explicar à minha filha a importância do grupo (não da equipa) para a aprendizagem de um conjunto de regras de socialização que são cruciais para nós enquanto pessoas e profissionais. Não sei se ela me compreendeu, já que a única coisa que me respondeu foi que as auxiliares não aprovavam essas “dinâmicas de grupo” na sua escola. Acredito que na minha também não tivessem aprovado caso fossemos apanhados.

Compreendo perfeitamente que aplicar códigos de conduta pela força parece coisa de outros meandros sociais, mas um código de conduta nunca fez mal a ninguém, pelo menos sabemos que conduta adoptar, ao respondermos a um estímulo social que nos é intrínseco enquanto humanos, o do grupo.

Aplicar a força para “educar” o membro tresmalhado do grupo é cruel, sem dúvida, mas também a forma mais directa de lhe mostrar que existem princípios que lhe serão necessários para o resto da sua vida, não apenas como pessoa, mas também como profissional. Falo de lealdade, de sentido de compromisso e de sentimento de pertença para não mencionar outros.

É caso para dizer que muitos não passaram no “corredor da morte”.

Fazer mais para Ser mais

Não é Inverno e muito menos Natal, mas estas pequenas (grandes!) mensagens são determinantes para confiarmos em absoluto no que fazemos e como fazemos. E aquecem o nosso coração.

“Olá Margarida. Obrigada pelo apoio, fica o contacto para futuros interesses. Não posso deixar de lhe agradecer a forma simpática e eficiente com que sempre respondeu. Tem uma abordagem claramente diferenciadora da generalidade dos seus colegas de profissão. Tenho pena de não ser desta vez que vamos trabalhar juntas. Um bem haja para si.”

Delírios funcionais

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Ainda estou a tentar entender o que se está a passar no mundo dos Recursos Humanos. Simultaneamente à perda de credibilidade da nossa função e respectiva importância estratégica que deveríamos possuir no seio de uma organização e no mercado de trabalho em geral, assisto à proliferação de terminologia funcional bacoca que não encerra qualquer significado e por certo não contribui para a valorização da nossa profissão.

As designações que estão em referência não são um produto de um delírio ocasional da minha cabeça e muito menos estão contidas nalgum livro de faculdade que todos compramos, mas que ninguém lê.

Estes títulos de funções aparecem no LinkedIn e são uma espécie de verborreia funcional ou profissional com a qual todos pactuamos.

Livros. O meu retiro espiritual.

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Ninguém será capaz de proceder a escolhas eficazes sobre a sua carreira se não souber desenvolver mecanismos internos para promover a sua inteligência emocional. Este processo requer coragem para olharmos para dentro de nós e tempo para nos reconciliarmos e aceitarmos quem somos e o que verdadeiramente procuramos para nossa vida e respectiva carreira.

Mesmo a viver um dos melhores momentos da minha carreira também eu me disponho a essa busca interior e a esses momentos preciosos de retiro que me dão estabilidade e discernimento para ajudar os outros. No meu caso, o meu retiro são os livros.

Este Verão descobri Walter Scott e James Hogg. E vocês o que gostam de ler?

Hotline do recrutamento

Estou a pensar em criar uma linha telefónica de valor acrescentado para ligar aos meus candidatos. Se só estão disponíveis para falar comigo às 20h, talvez faça sentido rentabilizar o meu tempo para além do meu horário de trabalho convencionado.

Parece-me, mas talvez eu perceba pouco disto, que um profissional que só se dispõe a falar com um recrutador à hora de jantar e em pleno horário convencionado para a vida pessoal tenha alguns traços marcadamente narcisicos…ou centrados apenas nos seus interesses.

Não interessa!

Cuidar da nossa Carreira

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“P’ra se entender, tem que se achar”

Elza Soares (in Sei Lá Mangueira)

A nossa carreira é apenas mais um dos muitos reflexos de quem somos como pessoas, talvez por esse motivo ela reflicta inequivocamente o melhor e o pior de cada um de nós.

Uma gestão cuidada e pensada da nossa carreira implica por certo cuidarmos de quem somos como seres humanos, mas também resolvermos o que nos condiciona, o que nos trava no processo e sobretudo o que nos diminuiu quando competimos por melhores oportunidades com outros profissionais.

Cuide da sua carreira como cuidaria de quem mais ama.

Guias salariais à parte

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Num destes dias, um dos meus candidatos dizia-me que consultava ocasionalmente os diversos guias salariais disponíveis no mercado quando se queria posicionar em termos de expectativa profissional nas entrevistas. Perguntei-lhe se sabia como estes guias salariais eram desenvolvidos, respondeu-me que não.

Aconselhei-o a fazer perguntas a quem de direito porque certamente não me cabe a mim responder pelo trabalho e ética profissional de terceiros.

Mulheres Machistas

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Não são raras as ocasiões em que digo aos meus candidatos que compreendo algumas das decisões que tomaram e o que sentiram em determinados contextos profissionais, pois eu também já fui e continuo a ser candidata. É precisamente essa solidariedade que me conduz quando trabalho com profissionais, seja em processos de recrutamento, seja em programas de gestão de carreira.

Talvez o caso mais gritante seja o da discriminação em ambiente de entrevista e é sempre nesse tema que lhes conto o que lhe vou contar aqui, neste artigo. Há uns anos, numa fase final de um processo de recrutamento em que participei como candidata, fui entrevistada por uma senhora. Do rol infindável de perguntas, onde era inegável uma desconfiança latente por me ter apresentado na entrevista de vestido justo com uma cor vistosa, percebi que o seu único objectivo era encontrar algo que me eliminasse do processo selectivo. Sendo também recrutadora, sei que um pretexto não é realmente necessário quando não queremos avançar com “aquele” candidato, mas efectivamente eu tinha passado as duas fases preliminares do processo, uma delas com o administrador da empresa, e, portanto, teria de existir uma razão incontestável para a minha exclusão.

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Factos da Vida

Estou a escrever um artigo sobre o mercado de trabalho português e embora esse facto só por si não tenha grande interesse, acabei por me lembrar de uma conferência sobre trabalho em que participei no longínquo ano de 2013.

Nessa altura, e perante representantes de sindicatos, defendi que dificilmente Portugal conseguiria voltar a alcançar uma taxa de desemprego abaixo dos 6%, não por falta de vontade, mas porque essencialmente a crise tinha tido o condão de expor um conjunto de fragilidades do nosso mercado de trabalho e sistema de apoio à inserção na vida activa que dificilmente se resolveriam sem uma reforma estrutural. Do que falava eu?

De profissionais desempregados de longa duração, sem qualquer capacitação técnica e intelectual e que na prática terão inúmeras dificuldades para regressar ao mercado. Ou melhor dizendo, profissionais que não sabem fazer nada que verdadeiramente se enquadre neste novo Mundo.

Em 2018, tivemos uma taxa de desemprego de cerca de 7%. É isto.

Sobre a felicidade

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Vivemos tempos estranhos. Não há nada que se consiga manter no seu estado mais genuíno e mais honesto. Há sempre os abutres à espreita que consideram interessante desmembrar para instrumentalizar em benefício dos seus interesses individuais ou particulares. Neste suposto mundo aberto e globalizado nada sobrevive à lei da interpretação superficial, assim foi com o coaching, com as frases inspiradoras ou até mesmo com as técnicas de auto-ajuda que entupiram as prateleiras de livrarias, papelarias e áreas de serviço.

Os tempos são tão estranhos que há organizações que julgam ser capazes de desenvolver e implementar práticas que fomentem a felicidade dos seus colaboradores, ora por construírem uma nova sede, ora por trazerem para dentro do espaço empresarial actividades supostamente lúdicas. Curiosamente nada que incentive o trabalhador a ter vida pessoal, mas antes tudo o que potencie o crescimento dos negócios e dos lucros do empregador. Só curiosamente. Não que haja alguma intenção por detrás da necessidade de definir o que são as “melhores práticas para a felicidade”.

Tinha pensado não escrever nada sobre isto. Tinha pensado. No entanto hoje tirámos esta fotografia e o que começou por ser uma sessão fotográfica corporativa e formal tornou-se naturalmente noutra coisa qualquer quando percebemos que havia adereços. O melhor de nós sobressaiu.

A felicidade é de cada um de nós. Não está, nem pode estar entregue à organização e ao empregador. Senão, todos sabemos o que vai acontecer, certo?

Créditos: NC Produções