Recomendar sem falar

Um destes dias, num jantar de amigos, foi-me apresentada uma pessoa que reconheceu o meu nome de anúncios de emprego que tinha visto algures no Sapo Emprego. Após alguma hesitação,  e quando sentiu que tinha finalmente uma oportunidade perguntou-me timidamente se me podia recomendar a irmã que andava há algum tempo à procura de trabalho. 

Acenei-lhe positivamente com a cabeça e tentei alcançar a minha mala para lhe entregar um cartão profissional, mas antes que o conseguisse fazer, e num tom obviamente preocupado e comovido, diz-me “Desculpe fazer-lhe este pedido, mas há 2 anos que ela procura trabalho e está tão triste que anda a ser acompanhada pelo psicólogo”.

Compreendo a preocupação de irmão e sobretudo compreendo que há por aí muito recrutador que quer saber tudo antes sequer de conhecer a pessoa em causa, mas uma entrevista deve ser uma página em branco que é escrita entre o recrutador e o candidato. Esta página sem nada escrito à partida é fundamental para não potenciar condicionalismos, actos discriminatórios e sobretudo para aumentar a relação de confiança que deve nascer numa entrevista.

Se me quiserem recomendar amigos, colegas ou familiares não acrescentem informação desnecessária, pois na maioria dos casos não estarão a ajudar. Na realidade, eu não quero, nem preciso de saber nada da pessoa de início para gostar dela como profissional após a entrevista.

Quem é Ada Hegerberg?

Quem é Ada Hegerberg e por que motivo ter sido deixada de fora do Mundial de França 2019, por parte da Federação Norueguesa de Futebol, pode ser notícia de destaque?

Na realidade, e até para percebermos como as notícias são veiculadas quase sempre de forma tendenciosa, Ada Hegerberg que é nada mais nada menos que a grande estrela da selecção feminina de futebol da Noruega, tornou-se notícia nos últimos dias porque decidiu não representar a sua equipa nacional no Mundial de França 2019 e não o contrário como noticiado. Outras jogadoras norueguesas, nomeadamente a sua irmã Andrine, seguiram-lhe o exemplo.

Talvez se estivéssemos a falar do “futebol” que nos entope a televisão diariamente ao serão poderíamos pensar que estaríamos a falar de dinheiro ou talvez até numa birra das manas Hegerberg, mas não é este o caso. Tanto Ada como Andrine estão de candeias às avessas com a sua federação simplesmente porque as condições de competição e pagamento de salários e prémios de jogo entre a equipa feminina e a equipa masculina não são iguais. 

Pessoalmente, o que considero louvável é o facto de Ada ter sido capaz de ver para além da sua carreira e dos seus próprios interesses, não apenas em prol das suas colegas de equipa, mas também em benefício de todas as jogadoras de futebol, profissional ou amador, que todos os dias competem com menos condições. Ada Hegerberg recusou-se a perpetuar o comportamento de vítima e através das suas acções e influência impulsionou a mudança que já está a acontecer. 

A propósito das contrapropostas

Bem sei o quanto é mal visto pelos recrutadores que um determinado profissional aceite uma contraproposta do seu atual empregador. Mas e se essa contraproposta for apenas uma medida de retificação de uma situação já de si injusta?

Diz-me a experiência que muitos profissionais se assenhoram destas oportunidades, não realmente para mudar de trabalho e progredir na carreira, mas tão-somente para marcar uma posição exclusivamente financeira junto do seu atual empregador. Porém, e mesmo considerando como plausível que possam ser uma minoria do mercado, existem profissionais que são manifestamente subvalorizados financeiramente.

Nesses casos, não é aceitável que a contraproposta possa ser uma ferramenta de promoção profissional?