O Sistema Educativo Português

Como especialista de recursos humanos reconheço que acompanhar um profissional estrangeiro no seu processo de mudança para Portugal não se cinge apenas aos processos de carreira, à pesquisa de emprego e à aquisição de conhecimento sobre o nosso mercado de trabalho. Em muitas ocasiões dou comigo a explicar coisas tão diferentes como quais são as regiões mais frias ou como funciona o sistema de ensino, e sei que apesar de lhes dar apenas o meu ponto de vista e a experiência empírica, sei o quanto é importante para os tranquilizar como também para poderem tomar melhores decisões.

Este não é um post sobre curriculum vitae ou pesquisa de emprego sequer, mas acredito que para muitos profissionais é tão ou mais importante que os temas referidos ou nos quais sou especialista há mais de 16 anos. Este post é sobre o sistema educativo português e foi escrito a pensar nos pais estrangeiros que querem vir para Portugal.

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O seu grau académico em Portugal

Uma das perguntas que o profissional estrangeiro mais me coloca é se deve fazer o processo de equivalência do seu grau académico junto de uma universidade portuguesa. Sendo reconhecidamente um processo burocrático e oneroso em termos financeiros, julgo ser crucial abordar este tema, mas trazendo para a discussão dois outros temas que na minha opinião e experiência estão interligados: A conversão da sua classificação final para a lógica de classificação académica portuguesa e a agregação a uma ordem profissional.

Uma das dicas que mais reforço junto de profissionais estrangeiros é a da necessidade de demonstrarem o seu aporte técnico e pessoal através da valorização indireta das organizações onde trabalharam e onde estudaram. Esta valorização pode ser feita subtilmente em entrevista de emprego, mas é sobretudo um truque usado ao nível do curriculum vitae em que o profissional através da valorização do seu empregador ou da universidade está a criar o contexto de valorização para a sua carreira também.

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O devir das coisas

Ilustração: Alex Herrerias

“Não apagues os meus círculos”, segundo reza a lenda, terão sido as últimas palavras de Arquimedes antes de ser trespassado pela lança de um soldado romano, após a queda da cidade de Siracusa, por volta de 212 A.C. Ainda que não haja nenhuma evidência confiável de que estas tenham sido efetivamente as suas últimas palavras ou sequer que a sua morte tenha ocorrido da maneira descrita, a progressiva mistificação da personagem de Arquimedes por via da sua devoção aos estudos e trabalhos de pesquisa é não apenas um devir das coisas históricas, como também um ícone inspirador pelo seu legado à Humanidade, pela sua determinação, perseverança e naturalmente pela sua férrea curiosidade.

Arquimedes nasceu em Siracusa, atual Sicília, cidade onde viria a morrer e dedicou toda a sua vida ao estudo da Matemática, Física e Astronomia, sendo amplamente conhecidas as suas contribuições para a fundação da Lei da Estática e para o desenvolvimento do pensamento matemático quinhentista que culminou no surgimento de uma nova cultura científica. Porém, Arquimedes não é exemplo único e o nosso dever histórico para com os “pensadores originários” não se deve cingir apenas à sua importância ou legado universal para a Ciência, mas deve ser a base para uma reflexão mais cuidada das nossas sociedades e do que lhes verdadeiramente falta.

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