Uma história real sobre Empatia

Quero-vos contar uma história sobre a empatia…

Há cerca de um ano comecei a acompanhar uma profissional com uma carreira relevante em funções de gestão a nível nacional e internacional. Na nossa primeira conversa, percebi claramente que havia uma angústia intensa por causa da sua “falta de empatia” e do seu foco excessivo nos resultados, mas não sendo usual um profissional conseguir identificar dois indicadores específicos da sua personalidade, caracterizando-os à partida como negativos, questionei-a por que motivo achava que tinha pouca empatia ou demasiada orientação para resultados.

É aqui que a história se torna interessante…

Conversámos muito naquela primeira sessão que fizemos as duas. Falámos sobre as suas aventuras no liceu e como foi sempre uma excelente aluna, falámos sobre as suas experiências internacionais e como ainda hoje mantinha essas ligações, inclusive sendo convidada regular nos casamentos e festas mais importantes de antigos colegas e chefias, falámos dos riscos que correu para poder ter os seus filhos e como aceitou incondicionalmente os que o marido trouxe consigo, mas também falámos sobre a sua incompreensão por nos últimos anos receber constantemente as melhores avaliações na sua organização e sempre que chega o dia do seu assessment geral há sempre um detalhe que falha. Desta vez tinha sido a sua “falta de empatia” e o seu foco excessivo nos resultados. 

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A empatia

A empatia é demasiado valorizada. Por vezes parece que sofre da mesma enfermidade que a liderança, todos usam e ninguém sabe verdadeiramente para que serve. A “coitada” da empatia carrega nos seus ombros o peso da simpatia, do altruísmo, da generosidade, da sinceridade, e até nalguns contextos mais obscuros, da nossa autoconfiança.

Explicar a um profissional que a sua empatia é baixa é como dar uma má notícia, quase tão terrível quanto explicar-lhe que é uma pessoa impulsiva. E Deus nos livre de pessoas impulsivas, instáveis e sem capacidade de empatia pelo outro. Se tal facto fosse uma verdade universal eu já teria deixado esta profissão há muito, possuo pouca empatia e muita impulsividade. 

A empatia mais não é do que a nossa capacidade de nos identificarmos intelectual ou afetivamente com os outros ou com ideias. Se isto não ocorre com alguma frequência na sua vida pode querer apenas dizer que tem uma estrutura mental ou afetiva mais peculiar, diferente da maioria, nada que uma boa dose de abertura e confiança não resolvam.