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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

09
Ago19

Patrões ou Patrãozecos...

Como se diz no Ribatejo "dá-me cá uns engodos" quando vamos ao café comer tranquilamente, e na companhia do Artur Madeira Lopesa nossa torta favorita e temos também de "engolir um patrão" a entrevistar na mesa do lado e a vender o "SalárioX14" como se fosse um benefício extra e único da sua empresa.

Usar expressões durante a entrevista como "isto não é X12 é sempre tudo X14" mostra não só o seu calibre de carácter, como também é revelador de um profundo desconhecimento da Lei.

23
Mai19

Entrevistar é Cuidar

Entrevistar ou ser entrevistado é um processo que deve ser previamente preparado pelas partes para que não se resuma unicamente à colocação e resposta a perguntas sobre experiência ou competências profissionais. Isso não é entrevistar, é inquirir. É o que muitas vezes digo aos mais novos que comigo trabalham.

Entrevistar é um processo holístico ou mais abrangente, e por inerência mais complexo, muito mais subjectivo, talvez por esse facto não existam muitos recrutadores no mercado de trabalho que sejam genuinamente bons entrevistadores. É, em boa verdade, um processo de validação e interpretação que envolve tanto a vertente profissional do candidato, onde se incluem competências e experiência técnica, como a vertente pessoal ou a sua personalidade, as suas vivências pessoais e as suas expectativas individuais.  O mais difícil é explorar de forma subtil, mas eficaz os dois lados da mesma moeda.

Pessoalmente conheço poucos recrutadores que tenham esta perspicácia, capacidade para ir mais além e estabelecer um laço de entrega e confiança e decerto os recrutadores juniores não terão ainda sequer o nível de maturidade individual para reconhecer a importância desta prática e por que motivo as entrevistas devem ser sempre conduzidas assim.

Entrevistar pode e deve ser considerada uma forma de edificar uma relação entre duas pessoas porque tal como todas as outras formas, também esta se baseia numa condição sine qua non de reciprocidade e permuta. De um lado, entrega-se o "quem sou" e o "que sei fazer" e do outro lado responde-se com o "como podemos colaborar" e esse entrelaçado de conhecimento partilhado e expectativa será o ponto de partida para uma relação assente na boa-fé, na informalidade e na esperança futura.

É no sucesso obtido através da boa execução deste processo que entrevistador e entrevistado encontram resposta para interesses individuais. Por este motivo, um entrevistado que não confia e respeita a relevância do trabalho do entrevistador é a mesma coisa que um recrutador que sistematicamente não dá feedback aos seus candidatos. Um entrevistador que resume o seu trabalho de entrevista a perguntas directas, com resposta fechada é, por sinal, também a mesma coisa que um candidato que esconde informação relevante durante o processo de entrevista. Um mau serviço e uma perda de tempo para as partes.

Entrevistar é abrir a porta da associação e colaboração que pode em muitos casos significar cuidar de quem precisa de ser cuidado, a nível profissional ou até mesmo a nível pessoal. O brio e a ética que ambos devem colocar na construção dessa relação deve, obrigatoriamente, reflectir essa possibilidade.

22
Mai19

Escolhas...

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Alguém dizia que a vida são dois dias. Eu digo que mais tarde ou mais cedo somos chamados a responder pelas nossas escolhas ou pela falta delas, pois dificilmente conseguiremos escapar eternamente por entre os pingos da chuva.

Escolha! Independentemente de ter o aval, a concordância ou a compreensão dos que estão à sua volta. Escolha e respeite a sua verdade interior porque senão a Vida encarregar-se-á de lhe dar as escolhas que sobraram de quem já escolheu em livre consciência. Escolha! E faça o que verdadeiramente gosta!

04
Mai19

Recomendar sem falar

Um destes dias, num jantar de amigos, foi-me apresentada uma pessoa que reconheceu o meu nome de anúncios de emprego que tinha visto algures no Sapo Emprego. Após alguma hesitação,  e quando sentiu que tinha finalmente uma oportunidade perguntou-me timidamente se me podia recomendar a irmã que andava há algum tempo à procura de trabalho. 

Acenei-lhe positivamente com a cabeça e tentei alcançar a minha mala para lhe entregar um cartão profissional, mas antes que o conseguisse fazer, e num tom obviamente preocupado e comovido, diz-me "Desculpe fazer-lhe este pedido, mas há 2 anos que ela procura trabalho e está tão triste que anda a ser acompanhada pelo psicólogo".

Compreendo a preocupação de irmão e sobretudo compreendo que há por aí muito recrutador que quer saber tudo antes sequer de conhecer a pessoa em causa, mas uma entrevista deve ser uma página em branco que é escrita entre o recrutador e o candidato. Esta página sem nada escrito à partida é fundamental para não potenciar condicionalismos, actos discriminatórios e sobretudo para aumentar a relação de confiança que deve nascer numa entrevista.

Se me quiserem recomendar amigos, colegas ou familiares não acrescentem informação desnecessária, pois na maioria dos casos não estarão a ajudar. Na realidade, eu não quero, nem preciso de saber nada da pessoa de início para gostar dela como profissional após a entrevista.

26
Abr19

A propósito das contrapropostas

A propósito das contrapropostas.

Bem sei o quanto é mal visto pelos recrutadores que um determinado profissional aceite uma contraproposta do seu atual empregador. Mas e se essa contraproposta for apenas uma medida de retificação de uma situação já de si injusta?

Diz-me a experiência que muitos profissionais se assenhoram destas oportunidades, não realmente para mudar de trabalho e progredir na carreira, mas tão-somente para marcar uma posição exclusivamente financeira junto do seu atual empregador. Porém, e mesmo considerando como plausível que possam ser uma minoria do mercado, existem profissionais que são manifestamente subvalorizados financeiramente.

Nesses casos, não é aceitável que a contraproposta possa ser uma ferramenta de promoção profissional?

Sobre mim

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos. Aqui, este tema será abordado numa perspectiva de todo: as boas práticas, métodos, o que há de novo no mercado, as relações entre recrutador, candidatos e clientes.(...)

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