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Margarida Diogo Barbosa

Um blogue que aborda os recursos humanos numa perspectiva de todo.

10
Jul19

Hotline do recrutamento

Estou a pensar em criar uma linha telefónica de valor acrescentado para ligar aos meus candidatos. Se só estão disponíveis para falar comigo às 20h, talvez faça sentido rentabilizar o meu tempo para além do meu horário de trabalho convencionado.

Parece-me, mas talvez eu perceba pouco disto, que um profissional que só se dispõe a falar com um recrutador à hora de jantar e em pleno horário convencionado para a vida pessoal tenha alguns traços marcadamente narcisicos...ou centrados apenas nos seus interesses.

Não interessa!

05
Jun19

Guias salariais à parte

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Num destes dias, um dos meus candidatos dizia-me que consultava ocasionalmente os diversos guias salariais disponíveis no mercado quando se queria posicionar em termos de expectativa profissional nas entrevistas. Perguntei-lhe se sabia como estes guias salariais eram desenvolvidos, respondeu-me que não.

Aconselhei-o a fazer perguntas a quem de direito porque certamente não me cabe a mim responder pelo trabalho e ética profissional de terceiros.

01
Jun19

Mulheres Machistas

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Não são raras as ocasiões em que digo aos meus candidatos que compreendo algumas das decisões que tomaram e o que sentiram em determinados contextos profissionais, pois eu também já fui e continuo a ser candidata. É precisamente essa solidariedade que me conduz quando trabalho com profissionais, seja em processos de recrutamento, seja em programas de gestão de carreira.

Talvez o caso mais gritante seja o da discriminação em ambiente de entrevista e é sempre nesse tema que lhes conto o que lhe vou contar aqui, neste artigo. Há uns anos, numa fase final de um processo de recrutamento em que participei como candidata, fui entrevistada por uma senhora. Do rol infindável de perguntas, onde era inegável uma desconfiança latente por me ter apresentado na entrevista de vestido justo com uma cor vistosa, percebi que o seu único objectivo era encontrar algo que me eliminasse do processo selectivo. Sendo também recrutadora, sei que um pretexto não é realmente necessário quando não queremos avançar com "aquele" candidato, mas efectivamente eu tinha passado as duas fases preliminares do processo, uma delas com o administrador da empresa, e, portanto, teria de existir uma razão incontestável para a minha exclusão.

Essa exclusão aconteceu por via da minha condição de mãe, à falta de outra diga-se. Quando me perguntou se tinha filhos e lhe respondi positivamente, explicou-me que aquela organização tinha como política primordial apostar em profissionais que não tivessem preocupações em termos de horários e compromissos pessoais, pelo que um filho era complicado, ou traduzido em bom português, um empecilho. Ouvindo calmamente os seus argumentos lembro-me de ter pensado que não iria ficar bem comigo se não lhe respondesse na mesma moeda e assim quando lhe perguntei se tinha filhos e me respondeu negativamente, eu retorqui com um "nota-se..." num tom simultaneamente reprovador e orgulhoso.

Toda a minha vida ouvi a minha mãe dizer que “pior que um homem machista, é uma mulher machista” e certamente por isso advogo que se não queremos ser condicionados por determinado tipo de comportamentos, não devemos perpetua-los através das nossas acções ou conivência.

23
Mai19

Entrevistar é Cuidar

Entrevistar ou ser entrevistado é um processo que deve ser previamente preparado pelas partes para que não se resuma unicamente à colocação e resposta a perguntas sobre experiência ou competências profissionais. Isso não é entrevistar, é inquirir. É o que muitas vezes digo aos mais novos que comigo trabalham.

Entrevistar é um processo holístico ou mais abrangente, e por inerência mais complexo, muito mais subjectivo, talvez por esse facto não existam muitos recrutadores no mercado de trabalho que sejam genuinamente bons entrevistadores. É, em boa verdade, um processo de validação e interpretação que envolve tanto a vertente profissional do candidato, onde se incluem competências e experiência técnica, como a vertente pessoal ou a sua personalidade, as suas vivências pessoais e as suas expectativas individuais.  O mais difícil é explorar de forma subtil, mas eficaz os dois lados da mesma moeda.

Pessoalmente conheço poucos recrutadores que tenham esta perspicácia, capacidade para ir mais além e estabelecer um laço de entrega e confiança e decerto os recrutadores juniores não terão ainda sequer o nível de maturidade individual para reconhecer a importância desta prática e por que motivo as entrevistas devem ser sempre conduzidas assim.

Entrevistar pode e deve ser considerada uma forma de edificar uma relação entre duas pessoas porque tal como todas as outras formas, também esta se baseia numa condição sine qua non de reciprocidade e permuta. De um lado, entrega-se o "quem sou" e o "que sei fazer" e do outro lado responde-se com o "como podemos colaborar" e esse entrelaçado de conhecimento partilhado e expectativa será o ponto de partida para uma relação assente na boa-fé, na informalidade e na esperança futura.

É no sucesso obtido através da boa execução deste processo que entrevistador e entrevistado encontram resposta para interesses individuais. Por este motivo, um entrevistado que não confia e respeita a relevância do trabalho do entrevistador é a mesma coisa que um recrutador que sistematicamente não dá feedback aos seus candidatos. Um entrevistador que resume o seu trabalho de entrevista a perguntas directas, com resposta fechada é, por sinal, também a mesma coisa que um candidato que esconde informação relevante durante o processo de entrevista. Um mau serviço e uma perda de tempo para as partes.

Entrevistar é abrir a porta da associação e colaboração que pode em muitos casos significar cuidar de quem precisa de ser cuidado, a nível profissional ou até mesmo a nível pessoal. O brio e a ética que ambos devem colocar na construção dessa relação deve, obrigatoriamente, reflectir essa possibilidade.

04
Mai19

Recomendar sem falar

Um destes dias, num jantar de amigos, foi-me apresentada uma pessoa que reconheceu o meu nome de anúncios de emprego que tinha visto algures no Sapo Emprego. Após alguma hesitação,  e quando sentiu que tinha finalmente uma oportunidade perguntou-me timidamente se me podia recomendar a irmã que andava há algum tempo à procura de trabalho. 

Acenei-lhe positivamente com a cabeça e tentei alcançar a minha mala para lhe entregar um cartão profissional, mas antes que o conseguisse fazer, e num tom obviamente preocupado e comovido, diz-me "Desculpe fazer-lhe este pedido, mas há 2 anos que ela procura trabalho e está tão triste que anda a ser acompanhada pelo psicólogo".

Compreendo a preocupação de irmão e sobretudo compreendo que há por aí muito recrutador que quer saber tudo antes sequer de conhecer a pessoa em causa, mas uma entrevista deve ser uma página em branco que é escrita entre o recrutador e o candidato. Esta página sem nada escrito à partida é fundamental para não potenciar condicionalismos, actos discriminatórios e sobretudo para aumentar a relação de confiança que deve nascer numa entrevista.

Se me quiserem recomendar amigos, colegas ou familiares não acrescentem informação desnecessária, pois na maioria dos casos não estarão a ajudar. Na realidade, eu não quero, nem preciso de saber nada da pessoa de início para gostar dela como profissional após a entrevista.

Sobre mim

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Biografia

Este blogue é o resultado do meu percurso enquanto especialista em recursos humanos. Aqui, este tema será abordado numa perspectiva de todo: as boas práticas, métodos, o que há de novo no mercado, as relações entre recrutador, candidatos e clientes.(...)

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