Este país não é para meninos

Source: Clay Banks

Este país não é para meninos, nem para meninas. Se pensa que por ter estudado numa boa universidade ou por ter acabado com distinção o seu Mestrado vai obter vantagem no acesso a oportunidades profissionais desengane-se, pois, caso ainda não tenha dado conta a sua expectativa é fazer carreira em Portugal e neste país o mercado de trabalho é uma espécie de buraco negro que nem luz reflecte. Deixe-me fazer-lhe as “honras da casa”.

Estudar neste país serve para pouco, em especial quando há quem se passeie com um sobrenome que é um autêntico passe-livre no acesso às oportunidades. Se é o seu caso, espero honestamente que seja homem pois quando entrar no mercado de trabalho já leva de avanço cerca de 16% de diferença salarial em relação à sua concorrente mulher. Nada mau, pois não? E fica melhor! Quando chegar a quadro superior, mesmo sem qualquer pinga de mérito, a diferença salarial passa para uns estrondosos 27%. E quem diz que o Natal não é quando o homem quiser?

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E se Portugal entrar em crise?

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Agora que a segunda vaga da pandemia atingiu em força Portugal e nos começamos a questionar como vamos sobreviver economicamente a este contexto, sei que a insegurança e as dúvidas que o estrangeiro sente são muitas e por esse motivo resolvi dar-lhe algumas dicas para se manter firme neste sonho de morar no nosso país.

Planeie hoje para semear amanhã.

Planear é o segredo de uma boa estratégia e na verdade é o segredo de quase todo o nosso sucesso, seja ele pessoal ou profissional, ainda que a maioria dos profissionais que eu acompanho tenham alguma relutância em acreditar.

No caso de um estrangeiro, planear significa por exemplo trazer uma poupança em dinheiro que lhe permite aguentar o embate de um mercado de trabalho pouco dinâmico e conversador e que não lhe vai proporcionar muitas oportunidades de trabalho, significa também ser capaz de antever todos os gastos com burocracia e estar preparado para fazer mudanças estruturais no seu estilo de vida e abordagem à realidade portuguesa. Dos profissionais estrangeiros que tenho acompanhado e que têm planeado com detalhe a sua vinda quase ninguém vem com menos de 50 mil reais. Pelas minhas contas e do conhecimento que tenho de Portugal não é excessivo, garanto-lhe.

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O Sistema Educativo Português

Como especialista de recursos humanos reconheço que acompanhar um profissional estrangeiro no seu processo de mudança para Portugal não se cinge apenas aos processos de carreira, à pesquisa de emprego e à aquisição de conhecimento sobre o nosso mercado de trabalho. Em muitas ocasiões dou comigo a explicar coisas tão diferentes como quais são as regiões mais frias ou como funciona o sistema de ensino, e sei que apesar de lhes dar apenas o meu ponto de vista e a experiência empírica, sei o quanto é importante para os tranquilizar como também para poderem tomar melhores decisões.

Este não é um post sobre curriculum vitae ou pesquisa de emprego sequer, mas acredito que para muitos profissionais é tão ou mais importante que os temas referidos ou nos quais sou especialista há mais de 16 anos. Este post é sobre o sistema educativo português e foi escrito a pensar nos pais estrangeiros que querem vir para Portugal.

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Dicas para um Curriculum Vitae europeu

Se há temas que são verdadeiros clássicos na gestão de carreira o curriculum vitae é certamente um deles. Para a maioria dos profissionais, em qualquer parte do mundo, o problema do desenvolvimento de um bom curriculum vitae é que não existindo uma fórmula única e certeira, torna-se complicado decidir o que é certo para o perfil individual de cada um e o que na prática vai produzir resultados no mercado de trabalho.

Ao contrário da maioria do mercado, eu não concordo que um profissional crie diferentes versões do seu curriculum vitae para atender ou responder a diferentes oportunidades de trabalho. Diz-me a experiência que quando o profissional desenvolve um trabalho de autoconhecimento, identificação de competências pessoais e profissionais e estruturação de argumentos não necessita criar diferentes personas do seu perfil profissional. O trabalho de autoconhecimento e reconhecimento de perfil é o mais difícil, bem sei, mas é o único que o capacita para “vender” a um potencial empregador as suas mais-valias em diferentes funções. Não criar diferentes versões escritas do mesmo curriculum vitae.

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Aprender línguas sem gastar dinheiro

Uma das perguntas que mais me fazem em sessão de carreira é se a segunda será necessária para o processo seletivo e se o profissional deve ou não fazer um curso de melhoria da sua segunda língua para poder procurar trabalho em Portugal.

A resposta que usualmente dou é se o empregador pedir como requisito a língua, isso significa que em algum momento do processo seletivo o nível vai ser validado. Em muitos processos de seleção, mesmo que o profissional fique a trabalhar em Portugal com equipas multiculturais onde estão portugueses também, as entrevistas de emprego são sempre realizadas na língua de trabalho, usualmente o Inglês. Portanto, a língua é importante e diria que para algumas funções fundamental sendo a seleção feita na língua em que a profissão vai ser desempenhada.

Será importante validar o seu nível segundo os níveis europeus ou pode ler mais sobre os níveis europeus de avaliação de conhecimento de línguas e como um profissional se pode posicionar de forma adequada numa entrevista de emprego.

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Conhecer o Mercado de Trabalho

Um dos maiores desafios que um profissional enfrenta na sua pesquisa de emprego é sem dúvida conhecer de forma estratégica o mercado de trabalho onde pretende criar oportunidades profissionais. Nas minhas sessões de carreira esta é a actividade em que os profissionais mais demonstram resistência na assimilação e até de compromisso com o processo, independentemente da sua nacionalidade ou nível de experiência.

A experiência diz-me que a maior dificuldade reside no facto de ao conhecimento do mercado de trabalho estar subjacente a necessidade de se aprofundar conhecimento suficiente para se identificar principais sectores de actividade e segmentar estrategicamente o mercado, bem como ser capaz de desenvolver hábitos sistematizados de pesquisa de organizações e potenciais contactos profissionais, quer na principal rede social, o LinkedIn, como também através dos motores de busca.

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5 dicas para uma Carreira em Portugal

Se está a pensar vir morar em Portugal e decidiu que 2021 é o seu ano, e o da sua família, então neste artigo vou dar-lhe 5 dicas fundamentais para poder planear uma transição de carreira mais eficaz no mercado de trabalho em Portugal.

Dinheiro ou Carreira?

A todos os meus profissionais, sejam portugueses ou estrangeiros, eu sempre digo “primeiro o dinheiro, depois a carreira” porque a realidade do mercado de trabalho português e a experiência nesta área dizem-me que a carreira precisa de tempo para ser desenvolvida e o dinheiro “compra-lhe” a única coisa que vai necessitar para estar bem emocionalmente e ter a clarividência para tomar decisões acertadas, ou seja tempo. Parece quase um círculo vicioso e interminável, mas acredite que um profissional sem dinheiro não tem nem a paz de espírito nem o tempo para “corridas de fundo” ou dito de outra forma para fazer a maratona, e é disso que se trata quando falamos da gestão da sua carreira.

Acima de tudo, esteja disponível para a mudança ou para ter um primeiro trabalho em Portugal que lhe dá dinheiro, mas não necessariamente uma carreira de sucesso e isto não significa que vai acabar definitivamente atrás de um balcão num restaurante, mas tão somente que poderá ter que dar um passo atrás para avançar firme. Já agora leia mais sobre a remuneração salarial de Portugal.

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O seu grau académico em Portugal

Uma das perguntas que o profissional estrangeiro mais me coloca é se deve fazer o processo de equivalência do seu grau académico junto de uma universidade portuguesa. Sendo reconhecidamente um processo burocrático e oneroso em termos financeiros, julgo ser crucial abordar este tema, mas trazendo para a discussão dois outros temas que na minha opinião e experiência estão interligados: A conversão da sua classificação final para a lógica de classificação académica portuguesa e a agregação a uma ordem profissional.

Uma das dicas que mais reforço junto de profissionais estrangeiros é a da necessidade de demonstrarem o seu aporte técnico e pessoal através da valorização indireta das organizações onde trabalharam e onde estudaram. Esta valorização pode ser feita subtilmente em entrevista de emprego, mas é sobretudo um truque usado ao nível do curriculum vitae em que o profissional através da valorização do seu empregador ou da universidade está a criar o contexto de valorização para a sua carreira também.

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Remuneração salarial em Portugal

Acredito que um dos grandes desafios que um imigrante enfrenta quando chega ao nosso país é compreender de forma clara o que é a remuneração salarial e como está estruturada em termos financeiros e legais.  Neste artigo, o meu objectivo é explicar-lhe da forma mais simplificada possível o que será o seu salário, que tipo de contribuições e descontos deverá realizar e como é que este é composto.

Em primeiro lugar, o mercado de trabalho português faz uma diferenciação entre Remuneração Base Remuneração Acessória, sendo que a primeira diz respeito ao salário base assente no princípio da disponibilidade do profissional para o trabalho e a segunda a todos os benefícios, subsídios e demais pagamentos complementares, como por exemplo os subsídios de férias e natal e o subsídio de alimentação. A Remuneração Final Mensal, composta pelo salário base e pelos benefícios acordados ou subsídios complementares acessórios, é considerada bruta ou ilíquida antes de o profissional realizar as suas contribuições para a segurança social e impostos e líquida quando recebe o dinheiro na sua conta após todos os descontos obrigatórios por lei que são processados directamente pelo seu empregador.

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Vamos conversar sobre línguas?

Os portugueses são conhecidos na Europa por terem uma habilidade extraordinária para falar línguas, no meu caso que sou considerada um C2 a Inglês (não se preocupe que já lhe explico o que isso significa!), perguntam-me com alguma frequência onde adquiri um nível tão alto e há uma espécie de incredulidade quando conto que nunca tive aulas específicas para a língua, mas apenas o conhecimento e prática adquiridos ao longo do ensino.

Na verdade, creio que a nossa habilidade adicional para a aprendizagem de outras línguas não se explica simplesmente com o nosso ensino escolar, embora goste de ver o ar surpreso na cara da outra pessoa.

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